*14 de Janeiro de 2010:
ABERTURA DO ENCONTRO CBC E NOVIDADE DO MINC
Conto mais daqui a pouco, mas a NOVIDADE do MINC foi
trazida pelo Ministro Interino Alfredo Manevy:
O presidente Lula aumentou o orçamento do MINC de
1,4 BIlhões de reais para 2,2 BIlhões de reais,
criando um FUNDO DE CULTURA no valor de 800 milhões.
Este novo fundo vai contemplar o cinema cultural,
pesquisa, memória do cinema, e outras áreas também
como música, etc.
Mais daqui a pouco.
Forte Abraço,
Marcos Manhães Marins
CINEMABRASIL.org.br
Então:
Continuando a falar sobre o dia 14/01/2010:
Na Abertura compuseram a mesa:
José Vaz de Souza da Secretaria de Políticas Culturais, o ministro em
exercício Alfredo Manevy, Manoel Rangel, o Prefeito de Atibaia, Sílvio Da-Rin,
o presidente do CBC, Rosemberg Cariry e o Coordenador-geral do FAC, Carlos Alkmin,
e também presidente da ABPTA, além do senador pelo Ceará Ignácio Arruda.
Interessante composição que aponta que o VIII CBC de junho de 2010 seguirá de
fato o lema proposto por Rosemberg Cariri, e aceito na última assembléia:
REPACTUANDO O CINEMA BRASILEIRO.
Neste VIII CBC, será resgatado o formato do III CBC, onde todos puderam participar,
independente se filiados ao CBC, com anuidade em dia ou não, e convidados, formando
o fenômeno que vimos de congraçamento, união e produção do 69 pontos que nortearam
as políticas públicas nos últimos 10 anos.
Outra Novidade é que Alfredo Manevy garantiu aqui em ATIBAIA a realização do
VIII CBC em Porto Alegre, com a liberação de recursos da ordem de 350 mil reais.
Como todos sabem, a patrocinadora dos outros eventos CBC vinha sendo a PETROBRAS,
mas há 2 anos que ela está restringindo patrocínios ao cinema, tendo não realizado
sequer os editais de produção de longas-metragens nestes 2 últimos anos.
Se houverem outros patrocinadores, serão bem-vindos, porque o evento custa muito mais
do que isso. Há uma boa chance de o Governo do Estado do Rio Grande do Sul entrar
com uma quantia razoável, e a captação de recursos em empresas será feita também,
porque se quer um GRANDE EVENTO, que marque e resgate o clima de união e força
trazido pela interação entre os vários grupos, os vários núcleos, ainda que nem
tudo seja consenso, pois esta disposição ao diálogo, por si só, com o conjunto
da atividade é muito importante. Há muito o que fazer, e juntos se conseguirá mais.
O objetivo é traçar um conjunto de metas para a segunda década deste novo milênio!
O coordenador do FAC disse que aceita o convite de participar. Como presidente
da ABPTA, que representa programadoras estrangeiras de TV, lembrou que as
programadoras estão ganhando com o ARTIGO 39 que lhes permitiu exibir nos
canais estrangeiros produções independentes brasileiras, como MANDRAKE, ALICE
e FILHOS DO CARNAVAL, e que a tendência é crescer a demanda.
Imaginem com o PL-29 aprovado, que consolidará esta demanda. Daí, mesmo que
a TV a cabo seja dominada por canais estrangeiros, se estes passam produções
independentes brasileiras, tudo bem, canal de TV é veículo. Temos de nos
preocupar com conteúdo.
Quer dizer, o mercado, o estrangeiro, os pólos CBC e FAC, tudo isso pode ser
ultrapassado, e o intangível deixar de sê-lo, com ajuda, como conclama Cariry,
de muita poesia.
E falemos dos filmes de curta metragem, de onde se destacaram, na minha opinião
(não sou crítico de cinema):
ENSAIO DE CINEMA, de Allan Ribeiro - destaco para comentar que se trata de um
desfile de citações, homenagens (esta era a idéia do filme) a cineastas europeus.
Uma experiência de metalinguagem que traz pouca coisa a quem já estuda cinema,
e não atrai quem não estuda cinema, mas que não deixa de ser interessante. Após
um primeiro final, o filme reabre para ator e diretor do plano sequência fazerem
uma autocrítica, inclusive do fato de terem só reverenciado o cinema da europa,
e não os filmes brasileiros que passam a dar os títulos, Dona Flor, Macunaíma,
A Dama do Lotação(?), MAS quem assistiu ficou esperando que eles refizessem o
ensaio tentando introduzir ângulos-enquadramentos-movimentos-de-câmera que
homenageassem também cenas importantes de nossa cinematografia nacional. Ficou
só na autocrítica mesmo, e fim. Ouvi de alguém do público, na saída: "pretensioso".
O VELHO GUERREIRO NÃO MORRERÁ, de Paulo Duarte é um documentário enxuto sobre
o diretor de O CANGACEIRO de 1953, Lima Barreto, que ficou mais de 2 anos em cartaz
na França e de 3 anos na Alemanha, que deu à Columbia, uma renda de bilheteria de
100 milhões de dólares. E, legal, o paralelo com a trajetória de Fernando Meirelles
um dos entrevistados, que fez semelhante sucesso com CIDADE DE DEUS, abrindo mão
dos lucros para a MIRAMAX, mas depois capitalizou isso aceitando convites por todo
o mundo. Já Lima Barreto tinha esperanças de encontrar no Brasil outra oportunidade
de sucesso e recusou o convite de ir para Suiça, França, etc. Diz Lima Barreto para
a câmera: "O Brasil não merece o patritismo que eu tive por ele".
Forte Abraço,
Marcos Manhães Marins
CINEMA BRASIL
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