*13 de Janeiro de 2010:
Estou aqui no Quinto Festival de Atibaia, onde está acontecendo
o Primeiro Encontro Internacional dos Direitos do Público e
o Encontro Preparatório do CBC de comemoração dos 10 anos da
entidade. Chegarão para o evento o ministro interino da Cultura,
Alfredo Manevy, o Secretário do Audiovisual Sílvio Da-Rin e
o presidente da Ancine, Manoel Rangel.
A reunião do CBC será hoje às 14:30h e será uma extensão da
primeira preparatória realizada em 18 de Novembro de 2009,
no Festival de Brasília, que teve a presença de Manoel Rangel,
Mário Diamante e Sílvio Da-Rin, sentados numa roda com os
diretores das entidades filiadas ao CBC, que depois se
reuniram sozinhas para deliberar alguns pontos da PAUTA desta
reunião de ATIBAIA.
Em Brasília ficou acertada a produção de um vídeo e de um livro
reunindo a Memória dos 10 anos de CBC. Para o livro, o presidente
do CBC, Rosemberg Cariri, convidou-me a escrever um Texto de
como se deu a retomada dos Congressos Brasileiros de Cinema,
que por 47 anos não mais aconteciam. Lembro de igual honra quando
recebi convite para escrever Texto para o Livreto do "I Seminário
Cinema Brasileiro Hoje" de Gustavo Dahl em 1998, quando ele
ainda nem sabia que em 2000 seria convidado por Roberto Farias,
para substituí-lo no convite que os 29 Fundadores fizeram de que
ele, Roberto, fosse o primeiro presidente do CBC, e ele não pôde
aceitar.
Esquentando os motores, todos ontem assistimos aos curtas do
Festival de Atibaia, sendo que se destacaram:
NELLO´S de André Ristum, sobre Nello Rossi, produtor do primeiro
longa de desenho animado 3D brasileiro, CASSIOPÉIA, um italiano
que diz ter trabalhado como assistente de direção de Rosselini,
mostra fotos e nos traz uma emoção grande, principalmente porque
ele não chegou ao estrelato, nem como ator, diretor ou produtor,
mas é feliz, dono de um restaurante em SP. Nello Rossi, para
quem não ligar o nome à pessoa, é aquele empresário com ar
de mafioso que parece que vai brigar com o funcionário
Fernandinho, mas no final diz "Que bela blusa!" com uma mudança
facial radical para admiração e simpatia, e no dia seguinte
todos os funcionários estão usando camisa igual à do Fernandinho.
Lembraram? Quem não viu, pode encontrar nos arquivos da Cinemateca.
CALANGO LENGO, MORTE E VIDA SEM VER ÁGUA, de Fernando Miller,
excelente animação, envolvente ação a do esfomeado fugindo
literalmente da morte até vencê-la com uma ajuda inesperada.
SUNDAY, de Fabio Delai e Renne Castrucci,
um filme todo falado em inglês sobre problemas existenciais,
não é genial, chega a ser previsível da metade para a frente,
mas ATINGE o público brasileiro, e deverá atingir a qualquer
público, pois é um filme universal, sua maior qualidade. Os
dois cegos que ignoram um que o outro é cego, iluminaram a
platéia do 5o. FAIA.
Achei de fraca proposta o curta GUARANI, apesar de extenso
material sobre o cinema que deu origem ao Cine GLAUBER ROCHA
na Bahia. Interessante é o depoimento da mãe de Glauber, D.
Lúcia, que achou o presente oficial de dar nome do filho ao
cinema um presente como aquele que se dá quando chega uma
pessoa e não se tem um presente específico para ela, e então
a gente embrulha alguma coisa para dar. D. Lúcia cita o
fato de a sala programar filmes dos Trapalhões, um tipo de
filme que nada tinha a ver com o pensamento do filho, mas
levando embaixo, na fachada, a legenda "Cine Glauber Rocha".
Pontos de vista.
E também achei mal explorado o tema da morte do menino
"MAICOU DIÉQUISION", numa favela no Espírito Santo.
Questão de gosto.
Depois, relato mais, se puder.
Forte Abraço,
Marcos Manhães Marins
CINEMABRASIL
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