BOLETIM NÚMERO 06 - JUNHO
1999
NOTÍCIAS
O percurso de uma obra cinematográfica começa em
uma idéia, resultado de inquietações do artista; imagem
mental que se materializa. Explicitada verbalmente, a obra é socializada,
compartilhada. Transforma-se em filme e vai a público. Como etapa
desse processo: o roteiro. Como viabilização desse processo:
a produção. Nesse caminho, o material dramático se
transforma e se afasta da concepção inicial. Ou não.
Também nesse caminho, as dificuldades do momento atual afetam a
finalização do filme. Ou não. Com a palavra, os
realizadores.
CONCURSO DE ROTEIROS CINEMATOGRÁFICOS - longa
metragem
A oportunidade propiciada pela Motion Pictures Association - MPA
juntamente com a Writers Guild of America - WGA, tem seu período
de inscrições até 18/06/99. Para participar, há
3 categorias, roteirista universitário (tem que ser estudante), roteirista
I (sem roteiro transformado em obra audiovisual) e roteirista II (com roteiro
transformado em obra audiovisual). O 1o lugar de cada categoria receberá
R$6.000,00 (Seis mil Reais) e um curso de roteiro em Los Angeles.
Informações, exemplos de roteiros, regras de
participação e ficha de inscrição no telefone
240-2276, fax 240-3026 ou mpaal@domain.com.br.
[ OU
em:
http://www.cinemabrasil.org.br/mpa/
- N.T. ]
PROPOSTAS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
NA ÁREA DE AUDIOVISUAL
Como a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais/SBAT também
abriga autores audiovisuais, ela está implementando um conjunto de
atividades sobre Dramaturgia Cinematográfica. Seu objetivo é
o aprofundamento em questões que preocupam os profissionais de cinema.
Uma oficina permanente é o espaço de estudo e dicussão
constante. Ciclos de palestras proporcionam debates. Grupos de estudos ampliam
conhecimentos. Mas o CEDRA também oferece opções aos
iniciantes, em cursos básicos e eventos.
Sociedade Brasileira de Autores Teatrais/SBAT
Centro de Estudos de Dramaturgia/CEDRA
Rua Almirante Barroso, 97 - 3o Centro
253-9604 Coordenação Pedro Ivo Vianna
CURSOS DE ROTEIRO CINEMATOGRÁFICO
Casarão de Laranjeiras
Rua Mario Portela, 267 Laranjeiras 22.240-000
285-5900 / 205-1592
Centro Cultural Cândido Mendes
Rua Joana Angélica, 63 Ipanema 22.420-030
523-4141 r. 209
Castelinho do Flamento
Praia do Flamengo, 158 Flamengo 22.210-030
205-0276
Casa das Artes de Laranjeias/CAL
Rua Rumânia, 44 Laranjeiras 22.240-140
225-2384 / 556-3063
Estação das Letras
Rua Almirante Tamandaré, 66 sl. 307 Catete
22.210-060
285-7224
Fundição Progresso
Rua dos Arcos, 24 Lapa 20.230-060
532-4308
Casa da Gávea
Praça Santos Dumont, 116 Gávea 22.470-060
239-3511
Instituto Uni-Mídia
Rua Voluntários da Pátria, 107 Botafogo
22.270-000
527-1626
Casa de Criação de Dramaturgia
Rua do Bispo, 83 bloco azul Rio Comprido 20.261-060
503-7234
Núcleo de Audiovisual / Casa da Ciência
Rua Lauro Muller, 3 Botafogo 22.290-160
542-7494
seção PALAVRA DE ROTEIRISTA
ZELITO VIANA
Durante as filmagens, seguimos as indicações de roteiro.
As pequenas transformações ocorridas foram provocadas por
necessidades de produção. Durante a edição, sim,
forma feitas expressivas alterações na ordem das sequências,
posto que a estrutura narrativa do filme é bastante livre, o que permitiu
as alterações feitas por razões de natureza
dramatúrgica. Finalizar um filme hoje em dia, em qualquer momento
sócio-econômico que estejamos vivendo tornou-se uma tarefa bastante
complexa. Os avanços tecnológicos no som e nos efeitos digitais
e óticos transformaram a pós-produção numa nova
produção. Sinto-me como se estivesse filmando de
novo.
Finalizando: Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão.
EMILIANO RIBEIRO
Venho de uma formação onde se trabalhava com o termo
Guión de Ferro, como algo a ser adotado por todos em todos
os filmes. O roteiro é algo que se re-escreve e inventa, quantas vezes
for necessário para ficar bom. Agora, a filmagem é algo caro
($) e complexo. Muita gente, muitos compromissos, melhor seguir o roteiro.
O Condenado à Liberdade foi alterado, sim, com idéias
e interpretações de todos. Atores, técnicos e as
próprias condições das filmagens definiram o material
do filme, como ele está. Mas sempre seguindo o roteiro. Agora, sim,
na montagem é que é a hora de mexer, discutir e alterar o roteiro.
O fazer do filme voltou à simplicidade de uma só pessoa com
o seu equipamento. Aqui, na pós-produção, é preciso
reinventar a narrativa do filme e embalá-lo com a música. Agora
é imperativo mexer no roteiro.
Finalizando: Condenado à Liberdade.
JORGE CRUZ
O roteiro para cinema, me parece, sempre sofre diversas
alterações durante as filmagens. Inicialmente, ao saltar de
um sistema semiótico (texto) para outro (imagem/som), alteram-se as
relações, por exemplo, com os seus públicos - leitor
e cinespectador; depois, o roteiro é o resultado do trabalho
de uma pessoa ou de um pequeno grupo homogêneo - mesmo que alguém
acumule as funções, é/são todo(s) roteirista(s)
- e o cinema depende de uma equipe, em geral, heterogênea, que inclui
o elenco; e, ainda, há sempre as dificuldades de produção
que, via de regra, levam a necessárias alterações. No
meu caso, a obra resultante não está se afastando muito da
história, mas a concepção está sendo alterada,
o que, aliás, pode ser muito bom! Isto está se dando, no meu
caso, principalmente pelas dificuldades econômicas que estamos
passando.
Finalizando: A Quadrilha.
TATA AMARAL
Através da Janela é um roteiro realizado
por Jean-Claude Bernadet, Fernando Bonassi e eu, a partir de um argumento
original de Jean-Claude. Trabalhamos neste roteiro durante um ano e meio.
Quando o filme foi viabilizado economicamente, através da A. F. Cinema
e vídeo, realizamos leituras do mesmo, com a presença de diretores
e dramaturgos de teatro e cinema, além, é claro, de sua equipe
de realização. A idéia era sentir como estas pessoas
recebiam o roteiro e suas contribuições foram muito interessantes.
Algumas mudanças resultaram deste processo, sobretudo no sentido de
sua economia dramática, ou seja, a subtração de algumas
cenas em prol da fluência narrativa. Por outro lado, estas discussões
me permitiram amadurecer e sedimentar o projeto de direção
do filme e dos atores.
Finalizando: Através da Janela
O conteúdo deste boletim foi elaborado por
Sílvia
Costa da
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