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BOLETIM NÚMERO 04 -  DEZEMBRO 1998

NOTÍCIAS

Desde o seu primeiro número, este Boletim apresenta um panorama do meio profissional a que se destina. Em seu lançamento, estabeleceu o raio de ação, dizendo-se voltado a roteiristas profissionais de audiovisuais e a roteiristas estreantes, abrangendo cinema, televisão, video e multimídia. Também voltado a cineastas, jornalistas, estudantes de cinema, críticos e pesquisadores. A partir do segundo número, o roteirista ganhou voz, passando a falar de sua atividade. Os profissionais colocaram suas idéias sobre questões referentes às histórias, hoje mais humanistas. Depois, foi a vez dos roteiristas que só escrevem e não dirigem, sendo escritores para as telas. Neste número estão com a palavra os roteiristas-diretores, contando suas experiências.

Uma constante neste informativo é a divulgação de iniciativas que favorecem o crescimento profissional do roteirista, assim como a sua formação. São noticiados cursos, centros de estudos, workshops, concursos, bolsas de estudos, novos espaços e acesso a materiais. Este número do Boletim está especialmente rico em informações, fazendo com que sua equipe produtora espere que todos aproveitem muito.

COBERTURA WORKSHOP SYD FIELD - Fotografia de Brasília

Para falar de seus princípios sobre roteiro cinematográfico, Syd Field esteve em Brasília e em São Paulo, ministrando mais um workshop, promovido pela Motion Picture Association - MPA. Em suas aulas, Field apresentou conceitos sobre estrutura dramática, apresentação de personagens e de suas vidas e relações, assim como elementos de construção da narrativa.

Além do curso, como parte das atividades programadas pela MPA, Syd Field teve um encontro com roteiristas, no Bar Lagoa. Estiveram presentes vários ex-alunos e amigos de Field, atualizando e trocando informações.

Foi uma noite animada, cheia de idéias sobre cinema e roteiros.

Seção OPORTUNIDADES!

Concurso de roteiros promovido pela MPA.

NOVIDADES

Está sendo articulada uma “Associação Nacional de Roteiristas Brasileiros”, pelo roteirista Paulo Halm. O objetivo é organizar e disciplinar a atividade profissional, discutindo questões como contrato, piso salarial, direito autoral, critérios de trabalho. Ele solicita aos interessados que enviem seus dados para o cadastro de participantes em pepehalm@ism.com.br

Chegou um auxílio à formatação de roteiros em padrão internacional. É um “template”, isto é, um programa computacional que cria um gabarito de tabulação e funciona em conjunto com o processador de textos WORD. Com ele se faz, automaticamente, os recuos para nomes e falas de personagens, entre outras facilidades. Informações com o roteirista e tradutor Hugo Moss em hugom@ibm.net

Já disponível o livro “Roteiro de Roteiro”, do diretor e roteirista Roman Bruni. Ele oferece um método de criação da narrativa cinematográfica associado à preocupação com a viabilidade da obra para diferentes realidades culturais e variáveis mercadológicas. Editado pelo Instituto Unimídia, pode ser encontrado em livrarias ou encomendado em belloni@infolink.com.br

Um dos contatos deste boletim, o roteirista Marcos Gonzalez, foi vencedor na modalidade Dramaturgia, do Premio Minas de Cultura, com a peça O Cubo Perfeito. Estreante em roteiro de cinema e como autor de teatro, Marcos tem sido responsável por informações e dicas que integram esta publicação.

Seção PALAVRA DE ROTEIRISTA

(tema: do roteiro ao filme)

JOSÉ JOFFILY

Como realizador, acho que é muito bom conhecer todas as etapas da produção de um filme. Assim, quando peço alguma coisa sei do que estou falando. Apesar de ter este conhecimento, não é do meu desejo atuar diretamente em todas as etapas de uma produção. Quando faço isto, é por falta absoluta de um produtor com quem dividir estas tarefas. Nestes casos, quando atuo sozinho, as duas fases mais dificeis são a formatação da idéia e a etapa final de comercialização. A fase de filmagem propriamente dita, é uma

ocasião muito feliz. É quando você trabalha em colaboração com toda a equipe.

Títulos como roteirista: "Avaeté - a semente da vingança" - dir. Zelito Viana; "O sonho não acabou"- dir. Sergio Rezende; "O Rei do Rio"- dir. Fabio Barreto; "Vai trabalhar Vagabundo II" - dir. Hugo Carvana; "Parahyba, mulher macho"- dir. Tizuka Yamazaki; "Terra para Rose" - dir. Tete Moraes; "A filha dos Trapalhões" - os Trapalhões. Títulos como diretor: "Urubus e Papagaios"; "A maldição do SANPAKU"; "Quem matou Pixote?".

ANTONIO CARLOS DA FONTOURA

Comandar de ponta à ponta o processo criativo de um filme é uma experiência bastante rica e, provavelmente, a mais próxima do que se poderia chamar de "autoria" de um filme. Neste sentido Uma aventura do Zico, o filme que terminei agora, pode ser encarado como um "filme de autor", o que não deixa de ser uma contradição, pois muitos o rotularão como o oposto disto, um "filme popular". Rótulos e distinções à parte, de qualquer modo é fantástico estar no comando de todas as etapas - da idéia inicial ao roteiro e deste à direção e edição - ao longo das quais um filme é "escrito".

Autor de roteiro e a direção dos longa-metragens: “Copacabana Me Engana”, “A Rainha Diaba”, “Cordão De Ouro”, “Espelho de Carne”, “Uma Aventura do Zico". Roteirista e diretor de televisão nos seriados “Ciranda Cirandinha”, “Plantão de Polícia” e “Você Decide”. Dedicado à formação de roteiristas cinematográficos, coordenando laboratórios de criação e ensinando Estrutura do Roteiro na Escola de Cinema da Universidade Estácio de Sá.

LUI FARIAS

Escrever e filmar um roteiro é ao mesmo tempo um prazer e uma angústia. Um prazer porque desenvolve uma intimidade muito grande entre o roteiro e a filmagem, e uma angústia porque o trabalho costuma ser muito solitário. Um dos mecanismos que encontrei para elaborar melhor a estória foi a de aproveitar todo "santo" ouvido que me aparecia pela frente. Eu contava, e contava, e contava a estória tantas vezes quanto me fosse possível e isso me ajudou muito. A cada vez que eu a contava, percebia pequenos detalhes que precisavam ser melhor trabalhados ou eventualmente até suprimidos. Mais tarde ouvi que esse é um artifício muito utilizado por outros diretores.

Diretor e autor da adaptação de “Com Licença, Eu vou à Luta”; diretor e co-autor da adaptação de “Lili Carabina”; diretor de mini-séries e vídeo-clips.

BIA PESSOA

A produção de um vídeo é um trabalho essencialmente de equipe. Mas participar de todas as etapas do processo é estimulante pelo lado da criação e desafiador pela lado da produção. Para o roteirista é muito bom saber que aquilo que está sendo proposto no roteiro será realizado exatamente como imaginado. Isso vale para a gravação das imagens, onde você posiciona a câmera do jeito que você imaginou, para a etapa de edição que dá o ritmo do programa e até para a escolha da trilha (ou para a encomenda da trilha, quando se trata de trilha original) que dá o brilho final.

Autora de vídeos de Furnas Centrais Elétricas, como “Parque da Cantareira”; “Angra 1 e o Meio Ambiente”; “Estudos Hidráulicos em Modelos Reduzidos”; “Piscicultura”. É responsável por roteiro, direção e edição.


O conteúdo deste boletim foi elaborado por Sílvia Costa da

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