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BOLETIM NÚMERO 02 -  MAIO 1998

NOTÍCIAS

Uma preocupação dominante neste momento é o crescente individualismo, que se manifesta em diferentes aspectos da vida, principalmente nos meios de produção. Em várias ocupações profissionais, o trabalho que deveria acontecer em colaboração, na verdade é realizado de forma isolada e desconectada de outros integrantes da equipe.

Nas atividades que geram obras audiovisuais, seja cinema, vídeo, televisão ou alguma das novas tecnologias (CD-ROM, DVD), o trabalho sempre envolve uma equipe, começando pelo autor da idéia, passando por inúmeros profissionais e pela direção, até que a obra chegue a público. Neste trajeto está o Roteirista, com atuação artística e função organizadora, para a criação ou ordenação primeira do material a ser tratado por outros profissionais.

Pela natureza de seu trabalho, os autores audiovisuais experimentam os dois "lados da moeda": um momento de pouca ou nenhuma convivência, quando isolados em casa ou no escritório e o período de intenso intercâmbio sobre suas produções. Assim, o Roteirista precisa de uma rede de contatos com seus pares, para trocas de idéias e até de energias. Essa é a razão de ser do Grupo de Roteiristas e deste canal de comunicação entre seus integrantes.

NOVOS ESPAÇOS PARA FORMAÇÃO EM CINEMA

O Rio terá mais uma faculdade de cinema, na Universidade Gama Filho, organizada por Luiz Carlos Lacerda, com uma metodologia centrada em atividades práticas, diferente do que acontece nas escolas já existentes. Segundo Lacerda, o curso se baseia na Escola Internacional de Cinema de Cuba, onde, em três meses, os alunos realizam curtas e, após dois anos, fazem um longa. A opção é por aprender trabalhando, sem deixar a fundamentação teórica. (O Globo - março 1998)

Por considerar oportuna a presença de obras audiovisuais na produção nacional, a Casa da Ciência/UFRJ concebeu o "Projeto Cine-Ciência", para oferecer atividades voltadas à concepção, produção e utilização de produtos audiovisuais para a divulgação das ciências. Uma dessas atividades visa a formação de recursos humanos qualificados para a etapa fundamental da criação do roteiro, que foi concretizada através do "Curso de Formação de Roteiristas para Divulgação de Ciências". (folder informativo - 1997)

Seção PALAVRA DE ROTEIRISTA

MAIS E MELHORES HISTÓRIAS

No mundo inteiro, o produto audiovisual está em demanda. Por outro lado, fenômenos como o Titanic apontam a tendência de concentrar a renda nos filmes de maior sucesso. Não discutimos se é justo ou injusto, porque não fazemos o mundo, só realizamos filmes. Mas, felizmente para todos, o público exige cada vez melhores histórias. Como uma boa história é parte essencial de todo filme de sucesso, pelo menos nesta foto os roteiristas aparecem muitíssimo bem.

Álvaro Ramos

Roteirista de televisão, vídeo e cinema, autor de episódios de seriados da Tv Globo, neste momento atuando no "Mulher".

ROTEIROS BEM BRASILEIROS

Pensamento de João Emanuel Carneiro, autor de ‘Central do Brasil’, em matéria de Gisela Campos, no Jornal do Brasil de 29/03/98: "(...) existe uma nova corrente dentro do cinema mundial, que já pode ser vista nos filmes do Sundance dos últimos anos e que a tendência é para filmes menos violentos, como o cinema iraniano. (...) As pessoas cansaram de tanta violência, estão querendo ver personagens humanos na tela, histórias humanistas." Ao final, João destaca a "importância de fazer roteiros originais, bem brasileiros".

João Emanuel Carneiro

Roteirista de cinema e vídeo, autor premiado com o curta "Zero a Zero" e com o longa "Central do Brasil".

A IMPORTÂNCIA DA FICÇÃO

Existe uma necessidade cada vez maior de histórias que discutam o Brasil, como se pode ver no sucesso de produções como Central do Brasil, O que é isso companheiro, O Quatrilho e outros. O brasileiro quer ver e discutir sua história. Como roteiristas de vídeo, temos na ficção um caminho rico para contribuir com o debate. Vamos aproveitá-lo.

Ana Clara Santiago

Roteirista de vídeos como os da "Campanha da Fraternidade de 1998" e diversos outros de ficção; autora premiada na modalidade teledramaturgia do concurso ‘Stanislaw Ponte Preta’.


O conteúdo deste boletim foi elaborado por Sílvia Costa da

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