Buenos Aires, 02 de junho de 1999
II Encuentro Brasil Argentina.
Política Cultural para la Integración - DISCURSO DE ROBERTO FARIAS
Caros senhores.
Creio que o princípio orientador de nossas ações deva ser o da completa liberdade. Formados pelo caldo cultural de nossos países, nossos cineastas, de uma forma ou de outra, interpretarão de nossos povos a crítica, as ansiedades e a poesia. E para isso devem ser livres. As forças políticas e governamentais devem zelar por esse direito. Só assim garantiremos o diálogo entre o nosso audiovisual e o público.
Sobre formação de mão de obra, creio que o aumento da demanda pelo produto audiovisual está provocando o surgimento de novos cursos nas universidades, além do aperfeiçoamento dos já existentes.
E, finalmente, o que me parece mais importante: a política de integração latinoamericana do audiovisual:
De 1974 a 1979, fui presidente da Empresa Brasileira de Filmes, EMBRAFILME, do governo federal. Este foi o período em que o cinema brasileiro esteve mais perto de conquistar o seu mercado interno. Propusemos então a criação de um MERCADO COMUM DE CINEMA, promovendo em Brasília o I ENCUENTRO SOBRE LA COMERCIALIZACIÓN DE LAS PELÍCULAS DE HABLA ESPAÑOLA Y PORTUGUESA, com a presença de representantes de Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.
Penso que aquela proposta continua válida e que seria importante refletirmos sobre ela para adaptá-la aos dias de hoje.
Creio que a união de nossos países no Mercosul nos indica o caminho para a integração também do cinema e dos mecanismos vigentes e a serem implantados para a política do áudiovisual.
No dia 31 de maio passado, em Curitiba, o escritor argentino Adolfo Perez Esquivel, Nobel da Paz em 1980, disse em seminário sobre a paz na Universidade Federal do Paraná que a globalização não unifica o mundo. "O que está se globalizando é o totalitarismo, a dívida externa e o intervencionismo militar". Esquivel criticava os ataques da Otan à Iugoslávia. "Em nome da paz", disse ele, "faz-se a guerra e em nome da liberdade se oprime. É uma manipulação da linguagem."
O seminário foi promovido pela Unesco e universidades da Argentina, Brasil, Paraguay e Uruguay. Essas entidades aprovaram uma declaração pela paz na Iugoslávia.
Às palavras do senhor Adolfo Perez Esquivel poderíamos incluir o cinema e o audiovisual. Nunca estivemos tão invadidos, tão impregnados de cultura estranha. E se antes lutávamos contra forças do comércio internacional, hoje temos de enfrentar também essa doutrina, que ao comércio junta o intervencionismo em todas as suas formas, inclusive a militar.
Penso que é o momento de reagir. Imagino seguir o exemplo da França. Aliarmo-nos à sua política de defesa cultural. Precisamos romper a legislação protecionista implantada planetariamente a favor do cinema americano, estabelecer e defender uma quota para nossos produtos audiovisuais.
Na França, esta cota é de 50% para os produtos da Comunidade Européia, e 60% dela deve ser preenchida com produto francês.
Creio que se poderia pensar no mínimo em números semelhantes para nossa produção no Mercosul, reservando, internamente, a mesma quota para cada país. Principalmente no que diz respeito às salas exibidoras.
Na televisão, há quem já ocupa, no estágio atual, mais que esta quota. O assunto deve ser motivo de estudo mais profundo para que seja possível aumentar a presença do produto nacional naquelas em que isto ainda não acontece e na defesa dos patamares atingidos por quem já superou as metas ora propostas. E não se diga que somos xenófobos, pois estaremos deixando metade de nossos mercados de salas para ser ocupada pelo produto estrangeiro.
Esperando que possa ser útil para confirmar a tese de que o público prefere o filme nacional ao estrangeiro, trago algumas informações e tabelas demonstrativas sobre o período em que o cinema brasileiro esteve mais presente no mercado.
A exposição destes documentos pretende demonstrar a viabilidade do cinema brasileiro, desde que se removam as dificuldade que impedem o cinema nacional de chegar ao mercado exibidor e toma como exemplo o período 1974 a 1980. O instrumento legal usado na época foi a chamada Lei de Obrigatoriedade que garantia a exibição de filmes nacionais nos cinemas, durante determinada quantidade de dias por ano, cuja aplicação foi defendida e fiscalizada em conjunto pela estatal Empresa Brasileira de Filmes EMBRAFILME e o Conselho Nacional do Cinema, CONCINE, que fixava por resolução o número de dias/ano a serem dedicados ao cinema nacional..
Colhidas em boletim do primeiro semestre de 1980, do Departamento de Ingresso Padronizado da Embrafilme (DIP) e reproduzidas ipsis literis. As informações desse boletim comparam o desempenho do cinema brasileiro com o do estrangeiro, de 1971 até o primeiro semestre de 1980.
Naquela época, exibidores interessados no comércio de filmes estrangeiros ao perceberem que o cinema nacional ocuparia inexoravelmente o mercado, utilizaram-se de instrumentos jurídicos para contestar a Lei de Obrigatoriedade, argumentando que a delegação dada pelo Legislativo ao Executivo na figura do Conselho Nacional do Cinema para fixar por resolução o número de dias que cada cinema seria obrigado a exibir filmes nacionais era inconstitucional. O argumento usado nas liminares era que um Conselho não pode agir como se fosse o Congresso Nacional. Apesar da assessoria jurídica do CNC ganhar todos os recursos e de haver pronunciamento do Supremo a favor do cinema nacional, os mandados de segurança continuavam sendo impetrados, liminares sendo concedidas e exibidores descumprindo a Lei.
A Lei de Obrigatoriedade continua em vigor, sendo atualmente muito mais eficaz porque o número de dias/ano é fixado por decreto do Presidente da República e prevê pesadas multas, que as resoluções do CONCINE não previa.
O problema, hoje, é que não há mais organismos para regular e fiscalizar o mercado, como o Conselho Nacional do Cinema e Embrafilme.
Os textos apresentados têm meus comentários.
EMBRAFILME
QUADRO COMPARATIVO ENTRE O CINEMA BRASILEIRO E O ESTRANGEIRO
O quadro a seguir demonstra claramente a diferença entre o cinema brasileiro de 9 anos atrás e o atual. Pode-se afirmar com segurança que nenhum outro segmento da economia brasileira atingiu, no mesmo período, tais níveis de crescimento. Verifica-se facilmente que o aumento da arrecadação ultrapassou o ritmo inflacionário
Na análise do filme estrangeiro, o único aspecto que apresenta crescimento aparente é a arrecadação. Quanto a espectadores, os números não merecem maiores comentários, está definida uma tendência de queda, configurada claramente, a partir do ano de 1976.
PERCENTUAL DE CRESCIMENTO DOS FILMES NACIONAIS E ESTRANGEIROS NO MERCADO
DE 1971 A 1980
|
ARRECADAÇÃO EM CR$ |
|
ANO 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 (1o sem) |
NAC. 53.368,910 74.262,010 81.271,005 89.787,200 174.836,594 252.882,333 453.325,087 775.731,656 1.016.430,320 743.209,406 |
% - 39 9 10 94 44 79 71 31 - |
ESTR. 326.992,860 389.400,008 463.358,583 468.530,060 790.528,555 924.650,317 1.420.179,789 1.835.326,859 2.632.356,071 1.884.094,256 |
TOTAL 380.361,770 463.662,018 544.629,588 548.317,260 965.365.149 1.177.532,650 1.873.504,876 2.611.058,515 3.648.786,391 2.627.303,662 |
ESPECTADORES
|
ANO 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 ( 1o sem) |
NAC 28.082,338 30.967,603 30.815,445 30.665,515 48.859,308 52.046,653 50.937,897 61.854,842 55.836.885 24.569,390 |
% C - 10 - 0,51 - 0,49 59 6 -2 21 -9 -
|
ESTR. 174.937,981 160.521,647 162.562,206 170.625.487 226.521,138 198.484,198 157.398,105 149.802,182 136.071,432 58.368,088 |
% C - - 8 - 1 4 32 -12 -20 - 4 - 9 -
|
TOTAL 203.020,339 191.489,250 193.377.651 201.291,002 275.380.446 250.530,851 280.336.002 211.657,024 191.908,317 82.937.478 |
Nota-se uma tendência de queda no total de espectadores, no final do ano. Mas o cinema brasileiro está no lucro, pois mais que duplicou o número de espectadores/ano, de 71 a 80.
CRESCIMENTO REAL DE ARRECADAÇÃO DO FILME BRASILEIRO
Ao se converter em US$ a arrecadação do filme brasileiro, ano a ano, procura-se verificar se houve crescimento real da renda. Verifica-se pelo quadro que no período de 1974 a 1978 o aumento foi real e a níveis bastante altos, apesar de entre 1976 e 1978, inclusive o aumento de preços de ingressos não haver ultrapassado a 10%, significando em termos práticos, um congelamento de preços.
No ano de 1979, houve uma queda de arrecadação que já está sendo superada no 1o semestre de 1980. O aumento de preços de ingressos no período de 1979 até 1o semestre de 1980 foi de 66%.
|
ANO |
ARRECADAÇÃO EM US$ |
% |
COTAÇÃO DO DOLLAR |
|
1974 |
13.223.446 |
- |
DEZ/74 : 6,790 |
|
1975 |
19.452.224 |
+ 47 |
DEZ/75 : 8,988 |
|
1976 |
20.815.073 |
+ 7 |
DEZ/76 : 12,149 |
|
1977 |
28.609.977 |
+ 37 |
DEZ/77 : 15,845 |
|
1978 |
36.939.602 |
+ 29 |
DEZ/78 : 21,000 |
|
1979 |
23.973.071 |
- 35 |
DEZ/79 : 42,523 |
|
1980 ( 1o sem) |
14.206.430 |
- |
JUNHO : 52,315 |
|
CRESCIMENTO REAL DO FILME ESTRANGEIRO |
|
ANO |
ARRECADAÇÃO EM US$ |
% C |
COTAÇÃO DO DOLLAR |
|
1974 |
67.530.200 |
- |
DEZ/74 : 6,790 |
|
1975 |
87.953.777 |
+ 30 |
DEZ/75 : 8,988 |
|
1976 |
76.109.170 |
- 13 |
DEZ/76 : 12,149 |
|
1977 |
89.629.522 |
+ 17 |
DEZ/77 : 15,845 |
|
1978 |
87.396.517 |
- 02 |
DEZ/78 : 21,000 |
|
1979 |
61.904.288 |
- 29 |
DEZ/79 : 42,523 |
|
1980 |
36.014.417 |
- |
JUNHO : 52,315 |
COMPARATIVO DE ARRECADAÇÃO EM US$ DOLLAR
|
FILME |
1974 |
1979 |
VARIAÇÃO EM % |
CRESC. MÉDIO ANUAL |
|
NACIONAL |
13.223.446 |
23.903.071 |
+ 80 |
+ 16,00 |
|
ESTRANG. |
67.530.220 |
61.904.288 |
- 8 |
- 1,60 |
FILMES NACIONAIS E ESTRANGEIROS
LANÇADOS E EXIBIDOS NO BRASIL
No primeiro semestre de 1980 foram lançados no Brasil 42 filmes nacionais contra 154 estrangeiros, perfazendo-se um total de 196 filmes lançados.
Os 42 filmes nacionais lançados deram uma arrecadação de CR$374.327.548,00 e tiveram 10/279/816 espectadores.
Os 154 filmes estrangeiros lançados arrecadaram 681.169.235,00 e tiveram 16.129.229 espectadores, totalizando em arrecadação (nacional + estrangeiro) CR$1.055.496.783,00 e em espectadores (nacional + estrangeiro) 26.409.045.
A renda média (arrecadação : No de filmes) por filme nacional foi de CR$8.912.560,00 – enquanto a renda média do filme estrangeiro foi de CR$4.423.276 –
O que mostra a preferência do público para o filme brasileiro. (O grifo é meu)
O filme nacional tem 35.46% sobre a arrecadação total (nacional + estrangeiro) – enquanto o filme estrangeiro tem 64% da arrecadação.
A média de espectadores (No de espectadores : No de filmes) por filme nacional é de 244.757 – enquanto a média de espectadores de filme estrangeiro é de 104.735, comprovando-se assim a preferência do público para o filme brasileiro.
O filme nacional tem 38.93% sobre o total de espectadores (nacional + estrangeiro) enquanto o filme estrangeiro tem 61.07 do público.
No 1o semestre de 1980, foram exibidos no Brasil 550 filmes nacionais contra 2.471 estrangeiros, perfazendo-se um total de 3.021 filmes exibidos.
Os 550 filmes nacionais exibidos deram uma arrecadação de 743.209.406,00 e tiveram 24.569.390 espectadores. Os 2.471 filmes estrangeiros exibidos arrecadaram CR$ 1.884.094.256,00 e tiveram o No de espectadores = 58.368.088. Totalizando em arrecadação (nacional + estrangeiro) CR$ 2.627.303.662,50 e 82/937.478 espectadores.
A renda média (arrecadação : No de filmes) por filme nacional foi de CR$ 1.351.289,00 – enquanto a renda média do filme estrangeiro exibido foi de CR$ 762.482,00 – quase a metade do filme nacional.
O filme nacional tem 28.29% sobre a arrecadação total (nacional + estrangeiro), enquanto o filme estrangeiro tem 71.71% da arrecadação.
A média de espectadores (No de espectadores : No de filmes) por filme nacional é de 44.671 – a do filme estrangeiro é de 23.621, sendo a média de espectadores do filme nacional quase o dobro do filme estrangeiro.
Finalizando, o filme nacional tem 29.62% sobre o total de espectadores e o filme estrangeiro 70.38%.
ANO DE 1979
|
FILMES LANÇADOS NO BRASIL |
|||||
|
FILMES NACIONAIS |
FILMES.ESTR |
TOTAL |
|||
|
N F |
104 |
250 |
354 |
||
|
AR |
544.816.688 |
1.273.524.977 |
1.818.341.665 |
||
|
RM |
5.238.622 |
5.094.099 |
5.136.558 |
||
|
%AR |
29,96% |
70,04% |
100% |
||
|
N E |
24.854.049 |
52.061.149 |
76.915.198 |
||
|
M E |
238.981 |
208.244 |
217.274 |
||
|
%NT |
32,31% |
67,69% |
100% |
||
NF – NÚMERO DE FILMES
AF - ARRECADAÇÃO DOS FILMES
RM - RENDA MÉDIA POR FILME
NE – NÚMERO DE ESPECTDORES POR FILME
ME – MÉDIA DE ESPECTADORES POR FILME
% SOBRE O NÚMERO TOTAL DE ESPECTADORES DOS FILMES
|
FILMES EXIBIDOS NO BRASIL |
|
FILMES NACIONAIS |
FILMES ESTRANGEIROS |
TOTAL |
|
N F |
664 |
3.292 |
3.956 |
|
AR |
1.016.430.320 |
2.632.356.071 |
3.648.786.392 |
|
RM |
1.530.768 |
799.622 |
922.342 |
|
%AR |
27,86% |
72,14% |
100% |
|
N E |
55.836.885 |
136.071.432 |
191.908.317 |
|
M E |
84.091 |
41.333 |
48.510 |
|
%NT |
29,10% |
70,90% |
100% |
1o SEMESTRE DE 1980
|
FILMES LANÇADOS NO BRASIL |
|||||
|
FILMES NACIONAIS |
FILMES.ESTR |
TOTAL |
|||
|
N F |
42 |
154 |
196 |
||
|
AR |
374.327.548 |
681.169.235 |
1.055.496.783 |
||
|
RM |
8.912.560 |
4.423.176 |
5.385.187 |
||
|
%AR |
35,46% |
64,54% |
100% |
||
|
N E |
10.279.816 |
16.129.229 |
26.409.045 |
||
|
M E |
244.757 |
104.735 |
134.740 |
||
|
%NT |
38,93% |
61,07% |
100% |
||
NF – NÚMERO DE FILMES
AF - ARRECADAÇÃO DOS FILMES
RM- RENDA MÉDIA POR FILME
NE – NÚMERO DE ESPECTDORES POR FILME
ME – MÉDIA DE ESPECTADORES POR FILME
% SOBRE O NÚMERO TOTAL DE ESPECTADORES DOS FILMES
|
FILMES EXIBIDOS NO BRASIL |
|
FILMES NACIONAIS |
FILMES ESTRANGEIROS |
TOTAL |
|
N F |
550 |
2.471 |
3.021 |
|
AR |
743.209.406 |
1.884.094.256 |
2.627.303.662 |
|
RM |
1.351.289 |
762.482 |
869.680 |
|
%AR |
28,9% |
71.71% |
100% |
|
N E |
24.569.390 |
58.368.088 |
82.937.478 |
|
M E |
44.671 |
23.621 |
27.453 |
|
%NT |
29,62% |
70.38% |
100% |
Comentário:
Observe-se que a média de espectadores é sempre maior em favor do filme nacional. Seja quando consideramos filmes lançados ou exibidos. Filmes exibidos são os lançados no ano mais os de anos anteriores ainda em exibição.
Até cineastas duvidam, às vezes, quando os que conhecem estes dados afirmam a preferencia do público pelo filme nacional. Não deveria ser surpresa. A identificação do público é maior com personagens brasileiras. Essa preferência também se dá na televisão e não causa espanto.
Muitos perguntam por que a televisão atingiu um estágio avançado de desenvolvimento, enquanto o cinema está sempre em crise.
A forma de remuneração do produto filme e a do produto novela é muito diferente. Os interesses de distribuidores e exibidores permitem tratar a exibição do filme de forma distinta da televisão. Enquanto a televisão vive da audiência e recebe per capita do patrocinador, nas salas exibidoras, o compromisso é com o produto hegemônico, o filme estrangeiro. O êxito de bilheteria do filme nacional não é garantia de permanência em cartaz, nem permite, por causa disso, a remuneração do produtor na proporção do seu sucesso. No cinema, conseguir um êxito excepcional é muito difícil e quando ele acontece é necessário explorá-lo ao máximo. Entretanto, são inúmeros os casos de filmes retirados de cartaz com boa renda, ou até batendo recordes de bilheteria para dar lugar ao filme estrangeiro, principal cliente do exibidor.
As facilidades de importação sem impostos; regalias no pagamento do Imposto de Renda, na remessa de lucros, nos gastos de publicidade, culminam numa série de vantagens que permite a evasão de renda e a remessa de lucros a dólar privilegiado para o exterior. O CONCINE identificou e denunciou remessa ilegal de dólares para o exterior na rubrica Cinema. A falta de fiscalização do mercado, hoje, permite sonegação, caixa 2 e outras vantagens.
Durante anos, a Embrafilme fiscalizadora do mercado e detentora do monopólio de venda de ingressos padronizados – uma das receitas da empresa, exigia que o bilhete fosse rasgado pelo bilheteiro à entrada do espectador. Era comum fiscais encontrarem bilhetes plastificados para serem revendidos inúmeras vezes, sem perigo de desgaste.
Fatores importantes na queda de espectadores do filme nacional e estrangeiro:
a desmobilização dos postos de fiscalização como responsável pela queda de arrecadação e de espectadores; a política de distribuição como um dos motivos do fechamento de salas; a valorização imobiliária.
CINEMA BRASILEIRO
A EMBRAFILME, levando à frente o programa de valorização e contiuidade do filme brasileiro, permitiu a expansão do mercado interno. A ligeira queda de espectadores no ano de 1979 se deve à natural recessão do mercado face ao contexto financeiro econômico e será superada no ano de 1980, com os bons filmes que serão produzidos e lançados por nossa indústria.
|
ANO |
No DIAS |
% C |
ARRECAD. |
% C |
ESPECT. NAC. |
% C |
|
1974 |
84 |
- |
89.787.200 |
- |
30.665.515 |
- |
|
1975 |
98 |
+16 |
174.836.594 |
+94 |
48.859308 |
+59 |
|
1976 |
112 |
+14 |
252.882.333 |
+44 |
52.046.653 |
+6 |
|
1977 |
112 |
- |
453.325.087 |
+79 |
50.937.897 |
-2 |
|
1978 |
133 |
+18 |
775.731.656 |
+71 |
61.854.842 |
+2 |
|
1979 |
140 |
+5 |
1.016.430.320 |
+31 |
55.836.885 |
-9 |
|
1980 1o SEM |
70 |
- |
743.209.406 |
- |
24.569.390 |
- |
O quadro resume o resultado do filme brasileiro em seus últimos seis anos e meio, e seu objetivo é demonstrar o crescimento da participação do filme nacional dentro de nosso mercado. Assim, é fácil verificar o crescimento da arrecadação do filme brasileiro, que é uma constante. Apenas no 1o semestre de 1980 a produção brasileira gerou recursos na ordem de CR$743.209.406,00, quase o total arrecadado no ano de 1978.
A importância do dado se ressalta, de forma clara, quando comparado com o ano de 1974 (CR$ 89.787.200,00).

PARTICIPAÇÃO DA EMBRAFILME NA PRODUÇÃO NACIONAL DE 1971 ATÉ O 1o SEMESTRE DE 1980
O quadro abaixo procura demonstrar, de forma resumida, a evolução da participação da Empresa na produção brasileira, sob as diversas formas em que atua, ou seja, financiamentos, co-produção com adiantamento e avanço sobre receitas de comercialização. Importante ressaltar que até 1974, inclusive, as operações da Embrafilme se restringiam quase exclusivamente a financiamentos. A partir de 1975, com a introdução de novos sistemas de operação, principalmente o de co-produção, pôde a Empresa aumentar a quantidade de projetos financiados, sempre em posição minoritária, de acordo com o previsto na Lei 6.281/75. Essa filosofia teve reflexos imediatos no mercado, pois tais filmes à medida em que expandiam sua participação em renda e espectadores – vide quadro – o faziam, obviamente, em prejuízo da pornochanchada.
|
ANO |
ARREC. TOTAL FILMES NACIONAIS |
ARREC. FILMES C/ PART. EMBRA |
% |
|
1971 |
53.368.910 |
6.554.378 |
12,28 |
|
1972 |
74.262.010 |
11.975.916 |
16,12 |
|
1973 |
81.271.005 |
8.904.383 |
10,95 |
|
1974 |
89.787.200 |
24.966.707 |
27,80 |
|
1975 |
174.836.594 |
25.691.043 |
14,69 |
|
1976 |
252.882.333 |
75.143.941 |
29,71 |
|
1977 |
453.325.087 |
149.744.164 |
33,03 |
|
1978 |
775.731.656 |
294.683.301 |
37,99 |
|
1979 |
1.016.430.320 |
254.272.520 |
25,02 |
|
1o SEM 1980 |
743.209.406 |
268.558.108 |
36,13 |
|
TOTAL |
3.715.104.521 |
1.120.494.450 |
30,16 |
ESPECTADORES
|
ANO |
FILMES NACIONAIS TOTAL ESPECTADORES |
ESPECTADORES FILMES C/ PART. EMBRAFILME |
% |
|
1971 |
28.082.358 |
2.837.093 |
10,10 |
|
1972 |
30.967.603 |
4.641.502 |
14,98 |
|
1973 |
30.815.445 |
2.637.724 |
8,55 |
|
1974 |
30.665.515 |
6.803.153 |
22,18 |
|
1975 |
48.859.308 |
6.324.268 |
12,94 |
|
1976 |
52.046.653 |
13.944.515 |
26,79 |
|
1977 |
50.937.897 |
14.778.952 |
29,01 |
|
1978 |
61.854.842 |
21.790.564 |
35,23 |
|
1979 |
55.836.885 |
13.375.724 |
23,95 |
|
1o SEM 1980 |
24.569.390 |
8.477.213 |
34,50 |
|
TOTAL |
414.635.896 |
414.635.896 |
23,06 |
RESERVA DE MERCADO 1974 a 1986 E QUANTIDADE DE ESPECTADORES / ANO em 1.000
|
ANO |
DIAS OBRIG |
% C |
ESPECT. NACION. |
% CRESC. |
ESPECT. ESTR. |
% CRESC. |
|
1974 |
84 |
--- |
30.665 |
--- |
170.625 |
----- |
|
1975 |
84 |
--- |
48.859 |
+59 |
226.521 |
+33 |
|
1976 |
112 |
+14 |
52.046 |
+7 |
198.484 |
-12 |
|
1977 |
112 |
--- |
50.937 |
-2 |
157.398 |
-21 |
|
1978 |
133 |
+18 |
81.854 |
+21 |
149.802 |
-5 |
|
1979 |
140 |
+5 |
55.836 |
-10 |
136.072 |
-9 |
|
1980 |
140 |
--- |
50.688 |
-9 |
114.086 |
-16 |
|
1981 |
140 |
--- |
45.911 |
-9 |
92.981 |
-18 |
|
1982 |
140 |
--- |
44.965 |
-2 |
82.948 |
-11 |
|
1983 |
140 |
--- |
33.774 |
-25 |
72.762 |
-12 |
|
1984 |
140 |
--- |
30.638 |
-9 |
59.301 |
-19 |
|
1985 |
140 |
--- |
21.928 |
-28 |
69.372 |
-17 |
|
1986 |
140 |
--- |
29.337 |
+34 |
98,267 |
+42 |
(Tabela editada pelo Concine. fonte: empresa brasileira de filmes. pesquisa José Eufrauzino de Souza).
FREQUÊNCIA OBTIDA PELOS FILMES DISTRIBUIDOS PELA EMBRAFILME E OUTROS FILMES
NACIONAIS E ESTRANGEIROS
|
ANO |
ESPECT. F/N EMBRAFILME |
% |
ESPECT. OUTROS F/N |
% |
|
1982 |
12.595.608 |
10 |
32.639.392 |
26 |
|
1983 |
8.537.349 |
8 |
25.236.651 |
24 |
|
1984 |
9.809.192 |
11 |
20.828.808 |
24 |
|
1985 |
5.914.652 |
7 |
16.013.348 |
17 |
|
1986 |
14.459.974 |
11 |
14.877.026 |
12 |

|
ANO |
ESPECTADORES DE FILMES ESTRANGEIROS |
% |
|
1982 |
82.948.000 |
64 |
|
1983 |
72.762.000 |
68 |
|
1984 |
59.301.000 |
65 |
|
1985 |
69.372.000 |
76 |
|
1986 |
98.267.000 |
77 |

TOTAL DE ESPECTADORES POR ANO DE 1982 A 1986
|
1982 |
127.913.000 |
|
1983 |
106.536.000 |
|
1984 |
89.939.000 |
|
1985 |
91.300.000 |
|
1986 |
127.604.000 |
(Fim da pesquisa de José Eufrauzino de Souza)
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