Buenos Aires, 02 de junho de 1999

II Encuentro Brasil Argentina.

Política Cultural para la Integración - DISCURSO DE ROBERTO FARIAS

Caros senhores.

Creio que o princípio orientador de nossas ações deva ser o da completa liberdade. Formados pelo caldo cultural de nossos países, nossos cineastas, de uma forma ou de outra, interpretarão de nossos povos a crítica, as ansiedades e a poesia. E para isso devem ser livres. As forças políticas e governamentais devem zelar por esse direito. Só assim garantiremos o diálogo entre o nosso audiovisual e o público.

Sobre formação de mão de obra, creio que o aumento da demanda pelo produto audiovisual está provocando o surgimento de novos cursos nas universidades, além do aperfeiçoamento dos já existentes.

E, finalmente, o que me parece mais importante: a política de integração latinoamericana do audiovisual:

De 1974 a 1979, fui presidente da Empresa Brasileira de Filmes, EMBRAFILME, do governo federal. Este foi o período em que o cinema brasileiro esteve mais perto de conquistar o seu mercado interno. Propusemos então a criação de um MERCADO COMUM DE CINEMA, promovendo em Brasília o I ENCUENTRO SOBRE LA COMERCIALIZACIÓN DE LAS PELÍCULAS DE HABLA ESPAÑOLA Y PORTUGUESA, com a presença de representantes de Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela.

Penso que aquela proposta continua válida e que seria importante refletirmos sobre ela para adaptá-la aos dias de hoje.

Creio que a união de nossos países no Mercosul nos indica o caminho para a integração também do cinema e dos mecanismos vigentes e a serem implantados para a política do áudiovisual.

No dia 31 de maio passado, em Curitiba, o escritor argentino Adolfo Perez Esquivel, Nobel da Paz em 1980, disse em seminário sobre a paz na Universidade Federal do Paraná que a globalização não unifica o mundo. "O que está se globalizando é o totalitarismo, a dívida externa e o intervencionismo militar". Esquivel criticava os ataques da Otan à Iugoslávia. "Em nome da paz", disse ele, "faz-se a guerra e em nome da liberdade se oprime. É uma manipulação da linguagem."

O seminário foi promovido pela Unesco e universidades da Argentina, Brasil, Paraguay e Uruguay. Essas entidades aprovaram uma declaração pela paz na Iugoslávia.

Às palavras do senhor Adolfo Perez Esquivel poderíamos incluir o cinema e o audiovisual. Nunca estivemos tão invadidos, tão impregnados de cultura estranha. E se antes lutávamos contra forças do comércio internacional, hoje temos de enfrentar também essa doutrina, que ao comércio junta o intervencionismo em todas as suas formas, inclusive a militar.

Penso que é o momento de reagir. Imagino seguir o exemplo da França. Aliarmo-nos à sua política de defesa cultural. Precisamos romper a legislação protecionista implantada planetariamente a favor do cinema americano, estabelecer e defender uma quota para nossos produtos audiovisuais.

Na França, esta cota é de 50% para os produtos da Comunidade Européia, e 60% dela deve ser preenchida com produto francês.

Creio que se poderia pensar no mínimo em números semelhantes para nossa produção no Mercosul, reservando, internamente, a mesma quota para cada país. Principalmente no que diz respeito às salas exibidoras.

Na televisão, há quem já ocupa, no estágio atual, mais que esta quota. O assunto deve ser motivo de estudo mais profundo para que seja possível aumentar a presença do produto nacional naquelas em que isto ainda não acontece e na defesa dos patamares atingidos por quem já superou as metas ora propostas. E não se diga que somos xenófobos, pois estaremos deixando metade de nossos mercados de salas para ser ocupada pelo produto estrangeiro.

Esperando que possa ser útil para confirmar a tese de que o público prefere o filme nacional ao estrangeiro, trago algumas informações e tabelas demonstrativas sobre o período em que o cinema brasileiro esteve mais presente no mercado.

A exposição destes documentos pretende demonstrar a viabilidade do cinema brasileiro, desde que se removam as dificuldade que impedem o cinema nacional de chegar ao mercado exibidor e toma como exemplo o período 1974 a 1980. O instrumento legal usado na época foi a chamada Lei de Obrigatoriedade que garantia a exibição de filmes nacionais nos cinemas, durante determinada quantidade de dias por ano, cuja aplicação foi defendida e fiscalizada em conjunto pela estatal Empresa Brasileira de Filmes EMBRAFILME e o Conselho Nacional do Cinema, CONCINE, que fixava por resolução o número de dias/ano a serem dedicados ao cinema nacional..

Colhidas em boletim do primeiro semestre de 1980, do Departamento de Ingresso Padronizado da Embrafilme (DIP) e reproduzidas ipsis literis. As informações desse boletim comparam o desempenho do cinema brasileiro com o do estrangeiro, de 1971 até o primeiro semestre de 1980.

Naquela época, exibidores interessados no comércio de filmes estrangeiros ao perceberem que o cinema nacional ocuparia inexoravelmente o mercado, utilizaram-se de instrumentos jurídicos para contestar a Lei de Obrigatoriedade, argumentando que a delegação dada pelo Legislativo ao Executivo na figura do Conselho Nacional do Cinema para fixar por resolução o número de dias que cada cinema seria obrigado a exibir filmes nacionais era inconstitucional. O argumento usado nas liminares era que um Conselho não pode agir como se fosse o Congresso Nacional. Apesar da assessoria jurídica do CNC ganhar todos os recursos e de haver pronunciamento do Supremo a favor do cinema nacional, os mandados de segurança continuavam sendo impetrados, liminares sendo concedidas e exibidores descumprindo a Lei.

A Lei de Obrigatoriedade continua em vigor, sendo atualmente muito mais eficaz porque o número de dias/ano é fixado por decreto do Presidente da República e prevê pesadas multas, que as resoluções do CONCINE não previa.

O problema, hoje, é que não há mais organismos para regular e fiscalizar o mercado, como o Conselho Nacional do Cinema e Embrafilme.

Os textos apresentados têm meus comentários.

 

 

EMBRAFILME

QUADRO COMPARATIVO ENTRE O CINEMA BRASILEIRO E O ESTRANGEIRO

O quadro a seguir demonstra claramente a diferença entre o cinema brasileiro de 9 anos atrás e o atual. Pode-se afirmar com segurança que nenhum outro segmento da economia brasileira atingiu, no mesmo período, tais níveis de crescimento. Verifica-se facilmente que o aumento da arrecadação ultrapassou o ritmo inflacionário

Na análise do filme estrangeiro, o único aspecto que apresenta crescimento aparente é a arrecadação. Quanto a espectadores, os números não merecem maiores comentários, está definida uma tendência de queda, configurada claramente, a partir do ano de 1976.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PERCENTUAL DE CRESCIMENTO DOS FILMES NACIONAIS E ESTRANGEIROS NO MERCADO

DE 1971 A 1980

 

 

ARRECADAÇÃO EM CR$

 

ANO

1971

1972

1973

1974

1975

1976

1977

1978

1979

1980

(1o sem)

NAC.

53.368,910

74.262,010

81.271,005

89.787,200

174.836,594

252.882,333

453.325,087

775.731,656

1.016.430,320

743.209,406

%

-

39

9

10

94

44

79

71

31

-

ESTR.

326.992,860

389.400,008

463.358,583

468.530,060

790.528,555

924.650,317

1.420.179,789

1.835.326,859

2.632.356,071

1.884.094,256

TOTAL

380.361,770

463.662,018

544.629,588

548.317,260

965.365.149

1.177.532,650

1.873.504,876

2.611.058,515

3.648.786,391

2.627.303,662

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESPECTADORES

ANO

1971

1972

1973

1974

1975

1976

1977

1978

1979

1980

(1o sem)

NAC

28.082,338

30.967,603

30.815,445

30.665,515

48.859,308

52.046,653

50.937,897

61.854,842

55.836.885

24.569,390

%

C

-

10

- 0,51

- 0,49

59

6

-2

21

-9

-

 

 

 

 

 

ESTR.

174.937,981

160.521,647

162.562,206

170.625.487

226.521,138

198.484,198

157.398,105

149.802,182

136.071,432

58.368,088

%

C

-

- 8

- 1

4

32

-12

-20

- 4

- 9

-

 

TOTAL

203.020,339

191.489,250

193.377.651

201.291,002

275.380.446

250.530,851

280.336.002

211.657,024

191.908,317

82.937.478

 

Nota-se uma tendência de queda no total de espectadores, no final do ano. Mas o cinema brasileiro está no lucro, pois mais que duplicou o número de espectadores/ano, de 71 a 80.

 

CRESCIMENTO REAL DE ARRECADAÇÃO DO FILME BRASILEIRO

Ao se converter em US$ a arrecadação do filme brasileiro, ano a ano, procura-se verificar se houve crescimento real da renda. Verifica-se pelo quadro que no período de 1974 a 1978 o aumento foi real e a níveis bastante altos, apesar de entre 1976 e 1978, inclusive o aumento de preços de ingressos não haver ultrapassado a 10%, significando em termos práticos, um congelamento de preços.

No ano de 1979, houve uma queda de arrecadação que já está sendo superada no 1o semestre de 1980. O aumento de preços de ingressos no período de 1979 até 1o semestre de 1980 foi de 66%.

ANO

ARRECADAÇÃO EM US$

%

COTAÇÃO DO DOLLAR

1974

13.223.446

-

DEZ/74 : 6,790

1975

19.452.224

+ 47

DEZ/75 : 8,988

1976

20.815.073

+ 7

DEZ/76 : 12,149

1977

28.609.977

+ 37

DEZ/77 : 15,845

1978

36.939.602

+ 29

DEZ/78 : 21,000

1979

23.973.071

- 35

DEZ/79 : 42,523

1980

(1o sem)

14.206.430

-

JUNHO : 52,315

CRESCIMENTO REAL DO FILME ESTRANGEIRO

ANO

ARRECADAÇÃO EM US$

%

C

COTAÇÃO DO DOLLAR

1974

67.530.200

-

DEZ/74 : 6,790

1975

87.953.777

+ 30

DEZ/75 : 8,988

1976

76.109.170

- 13

DEZ/76 : 12,149

1977

89.629.522

+ 17

DEZ/77 : 15,845

1978

87.396.517

- 02

DEZ/78 : 21,000

1979

61.904.288

- 29

DEZ/79 : 42,523

1980

36.014.417

-

JUNHO : 52,315

 

COMPARATIVO DE ARRECADAÇÃO EM US$ DOLLAR

 

FILME

1974

1979

VARIAÇÃO

EM %

CRESC. MÉDIO ANUAL

NACIONAL

13.223.446

23.903.071

+ 80

+ 16,00

ESTRANG.

67.530.220

61.904.288

- 8

- 1,60

 

 

 

 

FILMES NACIONAIS E ESTRANGEIROS

LANÇADOS E EXIBIDOS NO BRASIL

No primeiro semestre de 1980 foram lançados no Brasil 42 filmes nacionais contra 154 estrangeiros, perfazendo-se um total de 196 filmes lançados.

Os 42 filmes nacionais lançados deram uma arrecadação de CR$374.327.548,00 e tiveram 10/279/816 espectadores.

Os 154 filmes estrangeiros lançados arrecadaram 681.169.235,00 e tiveram 16.129.229 espectadores, totalizando em arrecadação (nacional + estrangeiro) CR$1.055.496.783,00 e em espectadores (nacional + estrangeiro) 26.409.045.

A renda média (arrecadação : No de filmes) por filme nacional foi de CR$8.912.560,00 – enquanto a renda média do filme estrangeiro foi de CR$4.423.276 –

O que mostra a preferência do público para o filme brasileiro. (O grifo é meu)

O filme nacional tem 35.46% sobre a arrecadação total (nacional + estrangeiro) – enquanto o filme estrangeiro tem 64% da arrecadação.

A média de espectadores (No de espectadores : No de filmes) por filme nacional é de 244.757 – enquanto a média de espectadores de filme estrangeiro é de 104.735, comprovando-se assim a preferência do público para o filme brasileiro.

O filme nacional tem 38.93% sobre o total de espectadores (nacional + estrangeiro) enquanto o filme estrangeiro tem 61.07 do público.

No 1o semestre de 1980, foram exibidos no Brasil 550 filmes nacionais contra 2.471 estrangeiros, perfazendo-se um total de 3.021 filmes exibidos.

Os 550 filmes nacionais exibidos deram uma arrecadação de 743.209.406,00 e tiveram 24.569.390 espectadores. Os 2.471 filmes estrangeiros exibidos arrecadaram CR$ 1.884.094.256,00 e tiveram o No de espectadores = 58.368.088. Totalizando em arrecadação (nacional + estrangeiro) CR$ 2.627.303.662,50 e 82/937.478 espectadores.

A renda média (arrecadação : No de filmes) por filme nacional foi de CR$ 1.351.289,00 – enquanto a renda média do filme estrangeiro exibido foi de CR$ 762.482,00 – quase a metade do filme nacional.

O filme nacional tem 28.29% sobre a arrecadação total (nacional + estrangeiro), enquanto o filme estrangeiro tem 71.71% da arrecadação.

A média de espectadores (No de espectadores : No de filmes) por filme nacional é de 44.671 – a do filme estrangeiro é de 23.621, sendo a média de espectadores do filme nacional quase o dobro do filme estrangeiro.

Finalizando, o filme nacional tem 29.62% sobre o total de espectadores e o filme estrangeiro 70.38%.

ANO DE 1979

FILMES

LANÇADOS NO BRASIL

FILMES NACIONAIS

FILMES.ESTR

TOTAL

N F

104

250

354

AR

544.816.688

1.273.524.977

1.818.341.665

RM

5.238.622

5.094.099

5.136.558

%AR

29,96%

70,04%

100%

N E

24.854.049

52.061.149

76.915.198

M E

238.981

208.244

217.274

%NT

32,31%

67,69%

100%

NF – NÚMERO DE FILMES

AF - ARRECADAÇÃO DOS FILMES

RM - RENDA MÉDIA POR FILME

NE – NÚMERO DE ESPECTDORES POR FILME

ME – MÉDIA DE ESPECTADORES POR FILME

% SOBRE O NÚMERO TOTAL DE ESPECTADORES DOS FILMES

 

 

 

 

 

 

FILMES EXIBIDOS NO BRASIL

 

FILMES

NACIONAIS

FILMES

ESTRANGEIROS

TOTAL

N F

664

3.292

3.956

AR

1.016.430.320

2.632.356.071

3.648.786.392

RM

1.530.768

799.622

922.342

%AR

27,86%

72,14%

100%

N E

55.836.885

136.071.432

191.908.317

M E

84.091

41.333

48.510

%NT

29,10%

70,90%

100%

 

1o SEMESTRE DE 1980

FILMES

LANÇADOS NO BRASIL

FILMES NACIONAIS

FILMES.ESTR

TOTAL

N F

42

154

196

AR

374.327.548

681.169.235

1.055.496.783

RM

8.912.560

4.423.176

5.385.187

%AR

35,46%

64,54%

100%

N E

10.279.816

16.129.229

26.409.045

M E

244.757

104.735

134.740

%NT

38,93%

61,07%

100%

NF – NÚMERO DE FILMES

AF - ARRECADAÇÃO DOS FILMES

RM- RENDA MÉDIA POR FILME

NE – NÚMERO DE ESPECTDORES POR FILME

ME – MÉDIA DE ESPECTADORES POR FILME

% SOBRE O NÚMERO TOTAL DE ESPECTADORES DOS FILMES

 

 

 

 

FILMES EXIBIDOS NO BRASIL

 

FILMES

NACIONAIS

FILMES

ESTRANGEIROS

TOTAL

N F

550

2.471

3.021

AR

743.209.406

1.884.094.256

2.627.303.662

RM

1.351.289

762.482

869.680

%AR

28,9%

71.71%

100%

N E

24.569.390

58.368.088

82.937.478

M E

44.671

23.621

27.453

%NT

29,62%

70.38%

100%

Comentário:

Observe-se que a média de espectadores é sempre maior em favor do filme nacional. Seja quando consideramos filmes lançados ou exibidos. Filmes exibidos são os lançados no ano mais os de anos anteriores ainda em exibição.

Até cineastas duvidam, às vezes, quando os que conhecem estes dados afirmam a preferencia do público pelo filme nacional. Não deveria ser surpresa. A identificação do público é maior com personagens brasileiras. Essa preferência também se dá na televisão e não causa espanto.

Muitos perguntam por que a televisão atingiu um estágio avançado de desenvolvimento, enquanto o cinema está sempre em crise.

A forma de remuneração do produto filme e a do produto novela é muito diferente. Os interesses de distribuidores e exibidores permitem tratar a exibição do filme de forma distinta da televisão. Enquanto a televisão vive da audiência e recebe per capita do patrocinador, nas salas exibidoras, o compromisso é com o produto hegemônico, o filme estrangeiro. O êxito de bilheteria do filme nacional não é garantia de permanência em cartaz, nem permite, por causa disso, a remuneração do produtor na proporção do seu sucesso. No cinema, conseguir um êxito excepcional é muito difícil e quando ele acontece é necessário explorá-lo ao máximo. Entretanto, são inúmeros os casos de filmes retirados de cartaz com boa renda, ou até batendo recordes de bilheteria para dar lugar ao filme estrangeiro, principal cliente do exibidor.

As facilidades de importação sem impostos; regalias no pagamento do Imposto de Renda, na remessa de lucros, nos gastos de publicidade, culminam numa série de vantagens que permite a evasão de renda e a remessa de lucros a dólar privilegiado para o exterior. O CONCINE identificou e denunciou remessa ilegal de dólares para o exterior na rubrica Cinema. A falta de fiscalização do mercado, hoje, permite sonegação, caixa 2 e outras vantagens.

Durante anos, a Embrafilme fiscalizadora do mercado e detentora do monopólio de venda de ingressos padronizados – uma das receitas da empresa, exigia que o bilhete fosse rasgado pelo bilheteiro à entrada do espectador. Era comum fiscais encontrarem bilhetes plastificados para serem revendidos inúmeras vezes, sem perigo de desgaste.

Fatores importantes na queda de espectadores do filme nacional e estrangeiro:

a desmobilização dos postos de fiscalização como responsável pela queda de arrecadação e de espectadores; a política de distribuição como um dos motivos do fechamento de salas; a valorização imobiliária.

 

CINEMA BRASILEIRO

A EMBRAFILME, levando à frente o programa de valorização e contiuidade do filme brasileiro, permitiu a expansão do mercado interno. A ligeira queda de espectadores no ano de 1979 se deve à natural recessão do mercado face ao contexto financeiro econômico e será superada no ano de 1980, com os bons filmes que serão produzidos e lançados por nossa indústria.

ANO

No DIAS

% C

ARRECAD.

% C

ESPECT. NAC.

% C

1974

84

-

89.787.200

-

30.665.515

-

1975

98

+16

174.836.594

+94

48.859308

+59

1976

112

+14

252.882.333

+44

52.046.653

+6

1977

112

-

453.325.087

+79

50.937.897

-2

1978

133

+18

775.731.656

+71

61.854.842

+2

1979

140

+5

1.016.430.320

+31

55.836.885

-9

1980

1o SEM

70

-

743.209.406

-

24.569.390

-

O quadro resume o resultado do filme brasileiro em seus últimos seis anos e meio, e seu objetivo é demonstrar o crescimento da participação do filme nacional dentro de nosso mercado. Assim, é fácil verificar o crescimento da arrecadação do filme brasileiro, que é uma constante. Apenas no 1o semestre de 1980 a produção brasileira gerou recursos na ordem de CR$743.209.406,00, quase o total arrecadado no ano de 1978.

A importância do dado se ressalta, de forma clara, quando comparado com o ano de 1974 (CR$ 89.787.200,00).

PARTICIPAÇÃO DA EMBRAFILME NA PRODUÇÃO NACIONAL DE 1971 ATÉ O 1o SEMESTRE DE 1980

O quadro abaixo procura demonstrar, de forma resumida, a evolução da participação da Empresa na produção brasileira, sob as diversas formas em que atua, ou seja, financiamentos, co-produção com adiantamento e avanço sobre receitas de comercialização. Importante ressaltar que até 1974, inclusive, as operações da Embrafilme se restringiam quase exclusivamente a financiamentos. A partir de 1975, com a introdução de novos sistemas de operação, principalmente o de co-produção, pôde a Empresa aumentar a quantidade de projetos financiados, sempre em posição minoritária, de acordo com o previsto na Lei 6.281/75. Essa filosofia teve reflexos imediatos no mercado, pois tais filmes à medida em que expandiam sua participação em renda e espectadores – vide quadro – o faziam, obviamente, em prejuízo da pornochanchada.

ANO

ARREC. TOTAL FILMES NACIONAIS

ARREC. FILMES C/ PART. EMBRA

%

1971

53.368.910

6.554.378

12,28

1972

74.262.010

11.975.916

16,12

1973

81.271.005

8.904.383

10,95

1974

89.787.200

24.966.707

27,80

1975

174.836.594

25.691.043

14,69

1976

252.882.333

75.143.941

29,71

1977

453.325.087

149.744.164

33,03

1978

775.731.656

294.683.301

37,99

1979

1.016.430.320

254.272.520

25,02

1o SEM 1980

743.209.406

268.558.108

36,13

TOTAL

3.715.104.521

1.120.494.450

30,16

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ESPECTADORES

ANO

FILMES NACIONAIS TOTAL ESPECTADORES

ESPECTADORES FILMES C/ PART. EMBRAFILME

%

1971

28.082.358

2.837.093

10,10

1972

30.967.603

4.641.502

14,98

1973

30.815.445

2.637.724

8,55

1974

30.665.515

6.803.153

22,18

1975

48.859.308

6.324.268

12,94

1976

52.046.653

13.944.515

26,79

1977

50.937.897

14.778.952

29,01

1978

61.854.842

21.790.564

35,23

1979

55.836.885

13.375.724

23,95

1o SEM 1980

24.569.390

8.477.213

34,50

TOTAL

414.635.896

414.635.896

23,06

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

RESERVA DE MERCADO 1974 a 1986 E QUANTIDADE DE ESPECTADORES / ANO em 1.000

 

ANO

DIAS OBRIG

% C

ESPECT.

NACION.

%

CRESC.

ESPECT.

ESTR.

%

CRESC.

1974

84

---

30.665

---

170.625

-----

1975

84

---

48.859

+59

226.521

+33

1976

112

+14

52.046

+7

198.484

-12

1977

112

---

50.937

-2

157.398

-21

1978

133

+18

81.854

+21

149.802

-5

1979

140

+5

55.836

-10

136.072

-9

1980

140

---

50.688

-9

114.086

-16

1981

140

---

45.911

-9

92.981

-18

1982

140

---

44.965

-2

82.948

-11

1983

140

---

33.774

-25

72.762

-12

1984

140

---

30.638

-9

59.301

-19

1985

140

---

21.928

-28

69.372

-17

1986

140

---

29.337

+34

98,267

+42

(Tabela editada pelo Concine. fonte: empresa brasileira de filmes. pesquisa José Eufrauzino de Souza).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

FREQUÊNCIA OBTIDA PELOS FILMES DISTRIBUIDOS PELA EMBRAFILME E OUTROS FILMES

NACIONAIS E ESTRANGEIROS

ANO

ESPECT. F/N

EMBRAFILME

%

ESPECT.

OUTROS F/N

%

1982

12.595.608

10

32.639.392

26

1983

8.537.349

8

25.236.651

24

1984

9.809.192

11

20.828.808

24

1985

5.914.652

7

16.013.348

17

1986

14.459.974

11

14.877.026

12

ANO

ESPECTADORES DE FILMES ESTRANGEIROS

%

1982

82.948.000

64

1983

72.762.000

68

1984

59.301.000

65

1985

69.372.000

76

1986

98.267.000

77

TOTAL DE ESPECTADORES POR ANO DE 1982 A 1986

1982

127.913.000

1983

106.536.000

1984

89.939.000

1985

91.300.000

1986

127.604.000

(Fim da pesquisa de José Eufrauzino de Souza)


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