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O tricampeão Pelé vai a Hollywood disputar a Copa do Mundo do cinema

Curta-metragem sobre a infância do jogador
poderá dar ao Brasil seu primeiro Oscar

Paulo Machline e atores do curta - Divulgação

Eduardo Souza Lima

Não dá para dizer que foi zebra, porque Pelé entrou em campo novamente. Mas a indicação de “Uma história de futebol” para o Oscar de melhor curta-metragem pegou de surpresa até mesmo o diretor Paulo Machline:

— Foi como se eu tivesse acertado na loteria sozinho!

O filme narra uma passagem da vida do Rei, quando menino do interior de São Paulo. O ano era o de 1950 e Pelé, ainda ainda conhecido como Dico, o craque do Sete de Setembro de Bauru, chorava a derrota do Brasil na Copa do Mundo enquanto sonhava em fazer o seu primeiro gol de bicicleta, inspirado no seu ídolo-mor, Leônidas da Silva.

— Essa história me foi contada por um grande amigo do meu pai — conta o diretor. — Como sou santista roxo e tenho no Pelé o meu ídolo máximo, imediatamente tive vontade de fazer o filme.

O tal amigo, Aziz Adid Naufal, o Zuza, é, na verdade, o protagonista do curta.

— O Pelé só está lá jogando. O grande barato seria que o espectador só descobrisse que aquele molequinho era ele no final — explica o diretor. — Queria contar uma história próxima da nossa realidade: o garoto pobre que vira um grande astro mundial, como também aconteceu com o Ronaldinho e o Romário. O nosso futebol vem da inocência, da malandragem.

“Uma história de futebol” é o primeiro filme de Machline, que fez carreira na publicidade e nos videoclipes. Estrelado pelos garotos Marcos Delfino (Pelé) e Leonardo Pazzinee (Zuza) e narrado por Antônio Fagundes, foi produzido em 1999 e de lá para cá rodou meio mundo. O filme foi premiado nos festivais de Gramado, Brasília, Ourense, na Espanha, e Bombaim, na Índia. Mas foi o Festival de Nova York, cidade onde Machline mora atualmente, que lhe garantiu o passaporte para o Oscar:

— A Academia homologa 40 festivais em todo o mundo e dá aos seus vencedores um certificado para a inscrição — explica o diretor.

Machline ficou surpreso com a recepção que o filme teve nos Estados Unidos:

— Afinal, é um filme brasileiro, falado em português e sobre futebol. E foram mil inscritos e 86 finalistas.

Atualmente o diretor trabalha com Maurício Zacarias, outro brasileiro radicado em Nova York, no roteiro de “Socorro” (título provisório), o seu primeiro longa-metragem:

— É uma história bem brasileira, sobre uma moça simples do interior que vai para o Rio, seduzida pelo que vê nas novelas de TV.

De “Uma história de futebol” ele não espera mais nada:

— Ele chegou a um ponto que já é muito bom. Afinal, é o meu primeiro filme! O que vier daqui para diante é lucro. Mas acredito que a indicação vá me ajudar na hora de captar recursos para o longa.

Leia o roteiro do curta-metragem

Bate-bola de craques

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