Nova Edição

English? Cacá Diniz



Banco de Filmes  Produção  Investimento  Prazer  Links  FORUM
Veja NESTA

Entrevista exclusiva
com  Norma  Bengell,
a diretora do  filme
O GUARANI.


 
EDIÇÃO!

Cacá Diniz, produtor
executivo  do  filme
FICA  COMIGO,     de
Tizuka Yamasaki,fala.



Você gostou deste site ?
Sim   Não  

CinemaBraZINE
Os Novos  Artigos  Em cartaz
Festivais nacionais  Participe 
  Editorial

Este espaço é de vocês, cineastas, técnicos, atores entrevistados, mas também de cinéfilos que queiram escrever um artigo sobre um filme. Dos entrevistadores voluntários, estudantes de comunicação, jorna- listas. O Cinema Brasileiro vi- ve um momento de virada mercadológica, mas a virada estética e ideo- lógica ainda não se deu. Estávamos mesmo preci- sando de um espaço de opiniões e ensaios como este. Use e abuse. Ele é seu.

Entrevista com Cacá Diniz


por Eva Spitzman

Aos 48 anos, Cacá Diniz tem quase 30 de cinema. Produtor de 12 filmes brasileiros e produtor associado de cerca de 40, ele é dono do único estúdio de cinema existente atualmente no Rio, o Ponto Filmes.

São 800 metros quadrados de área, com 9 metros de altura-um total de 7 mil metros cúbicos a serviço do cinema brasileiro-funcionando no Santo Cristo. Mesmo quando o cinema brasileiro estava em baixa, o estúdio funcionou a todo vapor, atendendo às gravações dos filmes da Xuxa e de Os Trapalhões. Recentemente, esse mesmo estúdio serviu às filmagens de Fica Comigo, de Tizuka Yamazaki, O Que é Isso Companheiro?, de Cacá Diegues, e O homem Nu, de Hugo Carvana.

    P - Você que tem tanta experiência na produção de filmes, que posição costuma adotar em relação ao sindicato da categoria? Você costuma registrar os contratos das pessoas que trabalham com você?

    CD - Eu sempre gosto de trabalhar com os sindicatos, registrando os contratos no Ministério do Trabalho, fortalecendo a profissão de todos nós, e isso não é um favor, é um ato de cidadania. No último filme que produzi, Fica Comigo, de Tizuka Yamazaki, todos os contratos foram registrados. A gente sempre vai em cima do sindicato para conseguir o registro de todas as pessoas. Eu não boto ninguém trabalhando nebulosamente, assim como não contrato pessoa incapaz de exercer a função.

    P - Por falar nisso, e a qualidade dos técnicos?

    CD - Não vejo diferença entre técnicos americanos, europeus e brasileiros. De certa forma, eles, às vezes, são piores do nós. Quem está acostumado como eu, que tenho 26 anos de cinema, a montar equipes, percebe que os eletricistas, maquinistas sabem dirigir os filmes melhor que os diretores. Quem faz o bom filme são as equipes-o diretor é um técnico dentro da equipe. O problema de som do cinema brasileiro é dos laboratórios, que são mal equipados e não dos técnicos. O filme feito com técnicos brasileiros e sonorizado e revelado lá fora fica com mesmo alto padrão do filme estrangiero.

    P - Você pode fazer uma avaliação do mercado cinematográfico brasileiro atual?

    CD - O mercado está sendo artificialmente produzido através dos resultados da Lei do Audiovisual naquilo que até agora interessou ao governo, ao Estado, ao Ministério da Cultura.

    P - Como assim?

    CD - Nenhum filme que fosse denunciar a descaracterizção cultural brasileira passou pelos crivos de premiação ou financiamento. O que se continua produzindo são imagens açucaradas, parecidas com o que a televisão costuma fazer. A economia não abre espaço para imagem nova. Há uma espécie de repressão mental. A elite não reconhece a qualidade dos nossos melhores filmes, só reconhece os filmes que agradam a ela, que lhe fazem a corte.

    P - Por exemplo?

    CD - Todos. Eu não consigo ver identificado com a imagem cotidiana do meu País nada no cinema e na televisão. Só vejo a crítica sarcástica que esconde a face verdadeira de uma cultura estatizada. O mercado só exibe o produto estrangeirizado porque não reconhece no filme brasileiro a mesma paridade, a mesma qualidade de impressionar o público. Como não têm espaço no cinema, na TV, os filmes brasileiros ficam circulandô (como diz o Caetano) . Essa representação esquemática de cultura é dolorosa porque ela não traz o novo.

    P - Pelo menos estamos vivendo uma fase de ressurgimento da produção cinematográfica.

    CD- Na atual fase de restauração da produção cinematográfica só espaço para filmes conservadores. Onde não há espaço para o filme experimental. Como está, está mais para estalinho do que para cabeça-de-negro.

    P - O que seria um filme cabeça-de-negro?

    CD - É um Macunaíma ou Fome de Amor. É um Chica da Silva. São filmes que vão ao encontro do prazer de ser brasileiro. Esses filmes poderiam vir a existir com o tempo, de modo que o cinema brasileiro atenda as diferentes correntes de opinião. Mas não acredito que esteja havendo um verdadeiro ressurgimento do cinema brasileiro. Estamos diante de uma política assistencialista de novo. Enquanto não se tem espaço para passar os filmes no cinema, não há chance de se encontrar autonomia cultural. Não temos autonomia econômica para produzirmos os filmes que queremos.

    P - Qual é a Tendência do mercado?

    CD - É manter esse fictício mercado, fazendo-se um filme com um pé outro cá. Tdos sofremos da mesma problemática. Mesmo nos filmes que estou tentando produzir, eu me sinto coagido pela situação econômica. Se eu não produzo filmes dentro de determinadas regras, números, estatísticas, meu filme vai ser fatalmente um erro econômico, um fracasso financeiro. E as regras para se produzir um filme corretamente não são ditadas pelos cineastas.

    P - Voc6e vê alguma perspectiva de melhora?

    CD - Só se houver incentivo ao consumo de ingressos para o lazer. Como ticket-lazer/cinema, criado pelo STIC e que não foi regulamentado. A maior parte da populção nem sabe que existe cinema brasileiro. Os estudantes da UFF não viram as obras dos maiores cineastas brasileiros. Qual foi a última vez que passou Eles não usam black-tie, ou A queda, Fome de Amor? Pior do que fechar a Embrafilme foi tentar apagar a cultura cinematográfica do nosso País. O filme Gaijin está inédito na televisão até hoje, porque o filme tem legenda.
Desde 17 de Outubro de 1995, tivemos  visitas

Para sugestões, use nosso Formulário de Pesquisa.


Copyright © 1996 FIBRA Eletrônica I.C.Ltda/FIBRA Cine Video

Este projeto é autorizado pelo Ministério da Cultura
para oferecer desconto no Imposto de Renda para os Patrocinadores deste site.






NOSSOS AGRADECIMENTOS A:


Min.Cultura


Univ.Fluminense


Sindicato T.I.Cinema


 


FUNARTE


Visualnet nos dá a conexão com a INTERNET


Link Produções digitaliza as fotos


Alternex forneceu espaco em disco WWW