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English? Norma Bengell



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Entrevista exclusiva
com  Norma  Bengell,
a diretora do  filme
O GUARANI.


 
EDIÇÃO!

Cacá Diniz, produtor
executivo  do  filme
FICA  COMIGO,     de
Tizuka Yamasaki,fala.



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  Editorial

Este espaço é de vocês, cineastas, técnicos, atores entrevistados, mas também de cinéfilos que queiram escrever um artigo sobre um filme. Dos entrevistadores voluntários, estudantes de comunicação, jorna- listas. O Cinema Brasileiro vi- ve um momento de virada mercadológica, mas a virada estética e ideo- lógica ainda não se deu. Estávamos mesmo preci- sando de um espaço de opiniões e ensaios como este. Use e abuse. Ele é seu.

Artigo/ENTREVISTA COM NORMA BENGELL

(via Internet)

Marcos Manhães Marins-CinemaBraZINE

CBZINE - O Cinema brasileiro está num momento de virada mercadológica, mas a virada ideológica e estética ainda não se deu. Somente o debate intenso pode reverter este quadro de continuidade e provocar uma ruptura vanguardista, pós-cinemanovista, pós-neoliberalista.
A polêmica contribui para a qualidade total de nossos filmes, para a formação de uma mentalidade realmente nova, em todos os aspectos. Produção, distribuição, exibição, inserção no cenário internacional, também estão em pauta.
Estariam os críticos certos ao deflagrarem este processo de difamação dos filmes da nova safra? Como você vê, Norma, toda esta questão?

NORMA BENGELL - Acho que os críticos atuais são preconceituosos e não entendem nada de cinema, de dramaturgia, de câmera, de direção. Os grandes críticos não estão escrevendo muito, como é o caso do Wilson Cunha, Ely Azeredo e tantos outros. Na minha opinião, são alguns focas que escrevem contra o cinema e querem dar uma diretriz o que devemos ou não devemos filmar, e não são honestos no que escrevem. Vide a porcaria do crítico da revista Veja, que diz que saiu no meio do filme e que o filme era trash e ele, um velho roqueiro decadente. Ele fez isto com O Guarani, mas não nos afetou. O filme é lindo, já está em vídeo e vocês podem alugá-lo. É o primeiro vídeo brasileiro com a tecla de Dolby.

CBZINE - O cineasta Neville D'Almeida, um dos mais participativos de nossa comunidade cinematográfica disse certa vez em uma reunião cultural:
"Não existe o novo cineasta e o velho cineasta. O que existe é o cineasta de resultados."
Mas e os cineastas que estão despontando, como eles vêem este processo?
Os sonhos, afinal de contas, será que eles envelhecem, amadurecem, ou não têm tempo nem idade?

NORMA BENGELL - Acho que num paiz como o nosso que não tem mercado, salas, público para nos assistir, o cineasta de resultado é aquele que consegue produzir e dirigir o seu filme e levá-lo ate o fim como é o caso neste momento.

CBZINE - Se a vida é curta, e a Arte longa, então porque estamos perdendo tanto tempo? Os recursos cinematográficos empregados nos filmes recentes, recursos de linguagem, de edição, de narrativa estão em sintonia com a era em que vivemos? O que você acha desta nova lista de discussão CINEMABRASIL, que agora surge?

NORMA BENGELL - Marcos, estou te respondendo rapidinho, mas quero dizer que adorei as perguntas e que vou respondê-las hoje à noite num texto mais extenso para a Lista.
Quero me inscrever para poder participar deste encontro com vocês. As minhas respostas são, creio eu, bem democraticas, não são?

CBZINE - A gente tem tentado se libertar do entulho autoritário. Mas o Brasil parece repetir ainda a atitude de outros tempos em relação ao Cinema. O Estado nos tutela por um lado, mas não se cerca de todas as variáveis para preservar um mercado saudável. As empresas com olhos apenas em vantagens financeiras imediatas. E quem ama o Cinema, no meio, tentando sobreviver nesta selva tupy-guarany. Há certamente os bem intencionados, mas...

NORMA BENGELL - Quando existia o stalinismo na Rússia, tinha uma cineasta que filmava mas a KGB não deixava exibir os seus filmes. Mas não a proibiam de filmar.
Estive num encontro em Paris com ela, que tinha uma filmografia enorme. A explicação que ela deu foi que, como eles não entendiam os seus filmes por serem filmes existenciais, eles não deixavam passá-los. Mas não a impediam de filmar.
Creio que este seja o nosso caso, em outras proporções. Não temos salas pois estão ocupadas com filmes americanos. Não temos produção ainda para encararmos os exibidores. Então creio que devemos inundar o mercado com nossos filmes de todas as tendências para termos produtos.
Como os clássicos não envelhecem, podemos filmar dos clássicos aos filmes atuais, dos filmes caros aos mais modestos de orçamento, até virarmos uma indústria.
Acho que temos que fazer filmes de qualidade técnica dentro do que podemos. E temos grandes profissionais . Eu sei que temos.

CBZINE - E projetos novos, fala um pouco deles pra gente.

NORMA BENGELL - Meus próximos projetos são: um documentário para a TV sobre Machado de Assis, um longa baseado na minha biografia, e vou produzir uma estória de Campos Carvalho para duas jovens cineastas dirigirem se chama O PÚCARO BÚLGARO.

CBZINE - Obrigado, Norma. Parabéns, pelo belo filme O GUARANI, que agora foi escolhido pela pesquisa nacional do programa INTERCINE para ser exibido na TV GLOBO, no horário nobre.

Bem, mas muito há para discutirmos ainda. O Cinema Brasileiro que surpreendeu o mundo na década de 60 com o Cinema Novo, com a filosofia da câmera olho, agora precisa de uma nova revolução brainstórmica sócio-ético-estético-cultural. Ou será que paramos com a câmera na mão, estabilizada por um steady-cam?
Ou será que retornamos aos travellings, gruas, tripés hidráulicos, ao filme pirotécnico helicopterizado?
Que mais formas além do cinema-olho e do cinema-espetáculo podemos descobrir, desvendar neste final de século?


Marcos Manhães Marins edita o CinemaBraZINE e é responsável pelo projeto cultural CINEMA BRASIL NA INTERNET. Atualmente está preproduzindo o filme CHATEAUBRIAND - Cabeça de Paraíba.


Norma Bengell dirigiu também o filme ETERNAMENTE PAGU (10 prêmios recebidos, e um internacional no festival de Biarritz, e os outros no Brasil: de melhor filme prêmio Leon Hirshman; de melhor atriz e música no festival de Gramado; melhor filme júri popular no Rio Cine) que teve 700 mil espectadores e ficou 36 semanas em cartaz. Norma ganhou, por sua interpetração em A IDADE DA TERRA, de Glauber Rocha, prêmio especial do júri como melhor atriz no festival de Veneza em 1981.



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