Sexo transborda no filme ‘Um copo de cólera’

Só a paixão por uma obra intelectual pode explicar a total reverência ao original na hora de adaptá-lo para outro meio. É assim que o produtor Flávio Tambellini justifica a fidelidade do filme "Um copo de cólera", que estréia dia 30 no circuito carioca, ao texto que o inspirou, o romance homônimo de Raduan Nassar.

- Quando comecei a trabalhar no roteiro com o diretor do filme, Aluizio Abranches, percebemos que não poderíamos fugir das palavras do Raduan, que eram muito ricas. A força do romance está no texto dele - disse Tambellini durante o debate que se seguiu à pré-estréia de "Um copo de cólera", dentro da série Encontros no GLOBO, no auditório do jornal, na noite de anteontem. - Partimos, então, para uma opção radical, uma adaptação literal do texto, reproduzindo a maneira de falar dos personagens no livro.

O debate também contou com a participação de Abranches, do psicanalista Jurandir Freire Costa e da dupla de protagonistas, Julia Lemmertz e Alexandre Borges. Na tela, os atores - casados na vida real - interpretam um casal que vive um intenso embate sexual e verbal.

- É a história de um casal em crise, que pode acontecer em qualquer lugar, em qualquer tempo - disse Abranches, outro apaixonado pela obra de Raduan Nassar. - O livro foi escrito há 20 anos, mas a discussão do casal se encaixa perfeitamente nos dias de hoje.

As cenas de sexo entre os protagonistas, que consomem cerca de dez minutos do filme, causaram sensação na platéia. As seqüências eróticas funcionam como contraponto ao confronto ideológico e romântico do casal, que chega às raias do delírio.

- É um filme extremamente difícil de ser feito. Impressiona o nível de delicadeza com o qual o tema foi tratado - elogiou Jurandir Freire Costa. - As cenas de sexo, que estão a um passo do vulgar, da pornografia, chegam a ser sublimes graças ao trabalho dos atores e da direção. O casal do filme está tentando fazer do sexo um canal de comunicação quando, na verdade, a distância entre eles é flagrante.

Os atores, por seu lado, não se sentiram nem um pouco intimidados com a exposição nas seqüências de amor.

- O fato de ser um roteiro como este e a cumplicidade com o trabalho do Aluizio nos deram a segurança de que essa exposição não seria em vão, gratuita, e sim estava dentro de uma obra importantíssima - disse Julia.

(fonte:O Globo/Carlos Helí de Almeida)

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