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| CHATEAUBRIAND | ||
| Vida de Jornalista inspira dois filmes | ||
| Klecius Henrique |
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França
1952. O jornalista Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados
e precursor da televisão no Brasil, realiza uma festa em Coberville
para promover o algodão brasileiro. O cenário era como
não poderia deixar de ser tropical. Chatô surpreende:
surge na festa de cuecas montado em um cavalo.
A cena está no roteiro de Chateaubriand, Cabeça de Paraíba e martela a cabeça do cineasta Marcos Manhães Marins desde 1987. Naquele ano, Manhães decidiu escrever um roteiro sobre a vida do lendário jornalista. Era o início de uma exaustiva pesquisa que resultaria em um roteiro sete anos depois.
O cineasta lembra que a idéia do filme é anterior à biografia Chatô, Rei do Brasil, de Fernando Morais, e ao projeto do ator Guilherme Fontes, que é baseado no livro do jornalista e terá o cineasta americano Francis Ford Coppola como produtor. Os dois estreantes pretendem filmar a vida do criador da TV Tupi ainda esse ano.
‘‘Registrei a sinopse em 1992. Em maio de 1994, conclui a versão definitiva do roteiro, que foi registrada na Biblioteca Nacional. O livro de Fernando Morais, se não me engano, só seria registrado em julho de 1994 e em dezembro do mesmo ano Guilherme Fontes anunciou que filmaria a biografia’’, conta.
Responsável pelos curtas Sociedade, Sociedade (1980) e João e a Sinuca Brasileira (1981), Manhães ainda não conseguiu captar os R$ 2 milhões necessários para produção de Chateaubriand, Cabeça de Paraíba, e não acredita que o filme do ator Guilherme Fontes atrapalhe o seu projeto.
Manhães pretende dividir o papel-título entre Paulo Betti, que ficaria responsável pela fase jovem do personagem, e Othon Bastos.
O cineasta, que é responsável pelo site Cinemabrazil, considera Assis Chateaubriand um dos personagens mais importantes da História do Brasil. Discorda, entretanto, da comparação com William Randolph Hearst magnata da imprensa norte-americana que serviu de modelo de inspiração para Orson Welles em Cidadão Kane (1941). ‘‘Chateaubriand era mais ousado do que Hearst’’, diz.
‘‘Chatô era tão importante quanto o presidente do Brasil. Hoje, ele poderia ser comparado ao jornalista Roberto Marinho (presidente da Rede Globo), mas Chateaubriand falava direto com o público, diferentemente de Roberto Marinho, que é discreto’’, lembra Manhães.
O título do filme não é um deboche com os nordestinos. ‘‘É um elogio a cabeça de gênio do jornalista que nasceu na Paraíba, construiu um império de comunicação no Brasil e desejava ser reconhecido como ser humano’’, explica.
A relação instável entre Chateaubriand e o presidente Getúlio Vargas que, para Manhães, oscilava entre o ódio e o amor será outro ponto abordado no filme. Elvira Vargas, que, em 1952, visitou a França, foi à festa de Coberville. ‘‘Bacanal na França’’ registrou o jornal Última Hora, de Carlos Lacerda desafeto de Chateaubriand , que destacou a presença da mulher do então presidente.
‘‘Em O Jornal, Chatô publicou, com Vargas como fonte, os podres de Washington Luís. Em 1932, uniu-se aos paulistas e ficou contra Vargas. Em 1950, põe Getúlio no poder, mas volta a brigar com ele. Por último, ocupou a cadeira que foi de Vargas na Academia Brasileira de Letras. Era mesmo um homem contraditório e fascinante’’, arremata.
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