(Marcos Manhães Marins
por CBR)
CBR - Lúcia, seu filme foi selecionado
para competir no Sundance Film Festival e no Festival de Berlim. Você
acha que DOCES PODERES teve a repercussão esperada? Bom, pelo menos
aqui na lista CINEMABRASIL ele tem sido comentado.
LM - Fico muito feliz em ter notícias do meu filme por
aqui. Até porque acho que ele foi muito pouco discutido. Justamente
por incomodar, houve um certo gelo nas questões essenciais que o filme
trata.
CBR - Que questões?
LM - Acho o seguinte. Ele tem inúmeras leituras. A das
pessoas que refletem sobre a questão (me parece que foi o caso de
quem comentou [o filme na lista]); a daquelas que estão desvinculadas
destas questões porque não fazem parte de suas vidas, mas que
recebem os fatos do filme como uma grande novidade (inverte-se a leitura,
caso outro dia de um grupo de meninos que fazem teatro no Vidigal - foi
aliás emocionante); e finalmente, a daqueles que assimilaram sem qualquer
visão crítica o neoliberalismo reinante. Para estes, não
tem jeito, não tem parâmetro inicial para começar a ver
o filme. Eles já tem um pré-conceito: tudo isto é
ingenuidade e passado fora de moda.
CBR - E sobre o cartaz ter um aspecto
que lembra algo já visto?
LM - Bom, sobre o cartaz é o seguinte: a gente tentou
fazer algo fora do padrão de foto de filme e tentar apreender o filme
no cartaz. gosto muito do resultado que aliás foi feito por uma pessoa
que eu considero um dos melhores artistas gráficos brasileiros: o
Rico Lins.
CBR - Como foi o filme no
Sundance?
LM - Uma overdose cinematográfica, [foi o] que foi Sundance.
O filme foi ótimo e marcamos um ponto para o cinema brasileiro com
a vitória. Fomos considerados a capacidade criativa latino-americana.
CBR - Em Berlim
DOCES
PODERES também foi muito bem recebido. Agora no Brasil, ele ficou
mesmo com o circuito de arte. Eu o assisti no Cine Gávea, que em conjunto
com os cine Estação alguma-coisa, forma no Rio a base de apoio
ao cinema brasileiro. O funil da exibição tem mesmo que ser
muito debatido.
LM - Bom, agora estou de volta das peripécias
festivalísticas. Fico contente em saber que vocês continuam
aí firme. Uso o e-mail constantemente com o exterior - como você
deve ter visto pelos jornais o filme foi hiperbem lá fora. Abraço
grande.
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