FESTIVAL DE BRASÍLIA 99
(Encerramento)






Brasília, 30 de Novembro de 1999



Mostra Competitiva: Cerimônia de Premiação


                       FESTIVAL DE BRASÍLIA MERECE RESPEITO

	Como se não bastassem as polêmicas ocorridas em razão de grandes ausências
nas premiações que na maioria das vezes caracterizam os festivais, na noite
de 30 de novembro, durante a cerimônia de encerramento do 32º Festival de
Brasília, ocorreram fatos absurdos que comprometeram o evento. 	Desde o
início deste Festival, a Secretária de Cultura Maria Luiza Dornas assegurava
que desta vez não haveria a menor possibilidade da criação de prêmios
mirabolantes na festa de encerramento das Mostras Competitivas, como ocorreu
no ano passado desagradando a muitos. Descuidou-se porém de assegurar-se que
não houvesse o mesmo excesso de criatividade na ordem tradicional de premiação.

 	Ainda não se sabe quem foi o responsável pela alteração desastrosa que
enervou grande parte do público presente na Sala Villa Lobos, dada a
sequência de interrupções e desencontros que caracterizaram a noite.
Furiosos com o fato, membros do júri como Cláudio Mac Dowel e Imara Reis
chegaram a deixar suas confortáveis cadeiras para subir ao palco e tentar
consertar o estrago. Os apresentadores Dimer Monteiro e Adriana Nunes, que
apenas cumpriam o que lhes foi determinado, sofreram diante de tanta
confusão e nervosismo. Apenas as belas músicas executadas pela orquestra
presente, as interessantes apresentações da companhia de dança Status Quo e
por fim uma manobra do diretor Luiz Alberto Pereira, que ao subir ao palco
pedindo calma, carregou consigo uma suposta lista de premiação dos cineastas
anônimos que, para começar, concedia o prêmio de melhor ator para o rapaz
que retirava os microfones no início das exibições no Cine Brasília,
conseguiram descontrair a platéia. 

	"Ao entregar a lista dos prêmios, fiz uma expressa recomendação para que
aquela ordem fosse obedecida, mas quem roteirizou o espetáculo resolveu ser
"criativo". Uma pessoa que não tem conhecimento da área. Fizeram uma salada
extraordinária e causaram uma polêmica desnecessária", afirmou Cláudio Mac
Dowel ao final. 

	Polêmicas à parte, "Santo Forte" em primeiro lugar, "São Jerônimo" e 
"Hans Staden" foram os grandes vencedores da noite e os mais aplaudidos. Como 
a maioria das premiações foi justa (exceção à indiferença por parte do júri
para com "Senta a Pua!"), o cinema brasileiro prosseguiu adiante, após a
exibição de uma rica safra de filmes em mais este festival. Pessoas vão e
vem mas o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro permanece como cenário
histórico de resistência. E como tal, merece todo o nosso respeito.


A PREMIAÇÃO:

    Longa-metragem 35 mm: Melhor Filme: "Santo Forte", de Eduardo Coutinho Melhor Diretor: Júlio Bressane, pelo filme "São Jerônimo" Melhor Roteiro: Eduardo Coutinho, pelo filme "Santo Forte" (de acordo com Cláudio Mac Dowel) Melhor Montagem: Jordana Berg, pelo filme "Santo Forte" Melhor Trilha Sonora: André Moraes, pelo filme "No Coração dos Deuses" e Marlui Miranda e Lélo Nazário pelo filme "Hans Staden" Melhor Direção de Arte: Chico de Andrade, pelo filme "Hans Staden" Melhor Fotografia: José Tadeu Ribeiro, pelo filme "São Jerônimo" Melhor Ator: Everaldo Pontes, pelo filme "São Jerônimo" Melhor Atriz: Fernanda Torres, pelo filme "Gêmeas" Melhor Ator-coadjuvante: Rolando Boldrin, pelo filme "O Tronco" Melhor Atriz-coadjuvante: Marta Aurélia, pelo filme "Millagre em Juazeiro" Menção Honrosa, pela inventiva articulação entre documentário e ficção, para "Milagre em Juazeiro" Prêmio Especial do Júri, pela excelência da realização, para "Hans Staden" Curta-metragem 35 mm: Melhor Filme: "3 Minutos", de Ana Luiza Azevedo Melhor Diretor: Torquato Joel, pelo filme "Passadouro" Melhor Montagem: Idê Lacreta, pelo filme "Copacabana" Melhor Roteiro: Tarcila Messias, pelo filme "Tepê" e Gustavo Acioli, por "Cão Guia" Melhor Fotografia: Mauro Pinheiro Júnior, pelo filme "Rota de Colisão" Melhor Atriz: Graciela Pozzobon, no filme "Cão Guia" Melhor Ator: Bruce Gomlevsky, no filme "Cão Guia" Menção especial para o Curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense, escola pública voltada para o estímulo permanente à prática cinematográfica Curta-metragem 16 mm: Melhor Filme: "Uma Nação de Gente", de Margarida Hernández e Tibico Brasil Melhor Diretor: Jung J. Lee, pelo filme "O Verme das Horas" Prêmio Especial do Júri Pela Pesquisa e Resgate da Identidade Cultural Brasileira: "Bubula, o Cara Vermelha", de Luiz Eduardo Jorge Prêmio Especial do Júri para escolas de Cinema pela inventividade: "Família do Braulho", de Bernardo Spinelli Prêmio Especial do Júri de documentário primeira Obra: "Diversas Lises", de Maya Pinsky Prêmio da Crítica Pela poesia, leveza e originalidade usados para prestar uma homenagem a ícones do imaginário cinematográfico, o prêmio de melhor curta-metragem vai para "De Janela Pro Cinema", de Quiá Rodrigues Pelo rigor, despojamento e profundidde com que constrói a sua teologia da palavra, o júri da crítica, por unanimidade, elegeu, como melhor longa-metragem, "Santo Forte", de Eduardo Coutinho Júri Popular Melhor Longa-metragem: "Gêmeas", de Andrucha Waddington Melhor Curta-metragem: "Tepê", de José Eduardo Belmonte Prêmio ANDI - Cinema pela Infância Agência de Notícias dos Direitos da Infância: "Rota de Colisão", de Roberval Duarte Prêmio Brasil 500 Anos 35 mm: Longa-metragem "O Tronco", de João Batista de Andrade Curta-metragem "Passadouro", de Torquato Joel 16 mm: "Um filme de Marcos Medeiros", de Marcos Elias Menção Honrosa ao filme "História de Amor Em 16 Quadros Por Segundo", de Fernando Spencer e Amin Stepple Hiluey Prêmio Marco Antônio Guimarães Concedido pelo Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro ao Filme que melhor utilizar material de pesquisa cinematográfica: "Bubula, o Cara Vermelha", de Luiz Eduardo Jorge Prêmio Canal Brasil "3 Minutos", de Ana Luiza Azevedo "Passadouro", de Torquato Joel Prêmio da Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo e a Sociedade dos Amigos do Pólo de Cinema e Vídeo Grande Otelo Pela contribuição à representação da identidade cultural do Brasil Central para o filme "No Coração dos Deuses", de Geraldo Moraes Troféu Saruê do Correiro Brasiliense "Santo Forte", de Eduardo Coutinho Abraços, Mônica Campos. Monicac@inetminas.estaminas.com.br << VOLTA

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