FESTIVAL DE BRASÍLIA 99





Brasília, 29 de Novembro de 1999




Preliminares:

	Na última noite da Mostra Competitiva 35 mm, os curtas a serem 
apresentados são "De janela pro Cinema", de Quiá Rodrigues e "O Oitavo 
Selo", de Tomás Enrique Creus. Dentre os longas, "Santo Forte", de 
Eduardo Coutinho e "Senta a Pua!", de Erik de Castro.


"De Janela Pro Cinema"

	A idéia inicial do primeiro curta da noite era realizar um filme 
de um minuto que acabou estendendo-se para 13 minutos. Personagens como 
Chaplin e Nosferatu encontram-se entre os homens que desejam uma mulher 
misteriosa nesta animação. Conforme desejo do diretor, trata-se de uma 
homenagem ao cinema.



"O Oitavo Selo"
	Em uma referência ao clássico do sueco Ingmar Bergmann - "O 
Sétimo Selo", o segundo curta, do Rio Grande do Sul, tem duração de 15 
minutos e narra o encontro de um jovem com a morte.



	"Santo Forte", o penúltimo longa da noite de encerramento 
investiga o aspecto religioso das pessoas entre católicos, umbandistas ou 
evangélicos em uma favela no Rio de Janeiro. Neste documentário o diretor 
Eduardo Coutinho aborda o cotidiano destas pessoas como um padrão da 
população brasileira. O filme tem duração de 80 minutos.


	O longa-metragem que encerra a Mostra Competitiva 35 mm do 32º 
Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é dirigido por um brasiliense, 
Erik de Castro. "Senta a Pua!", uma expressão nordestina popular à época 
retratada no documentário era na verdade um grito de guerra dos pilotos 
brasileiros na II Grande Guerra. O filme documenta o primeiro grupo de 
Aviação de Caça do Brasil.

	O comentário final sobre os últimos filmes integrantes do evento 
serão enviados na noite desta segunda-feira.

Abraços,

Mônica Campos.
monicac@inetminas.estaminas.com.br



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Complemento da Mostra Competitiva: sexta e última noite

	Na última noite de exibição da Mostra Competitiva do 32ºFestival 
de Brasília, o diretor do curta de animação "De janela pro Cinema" subiu 
ao palco levando consigo um dos atores do filme: o boneco Nosferatu. "Ele 
não quer falar, eu vou falar por ele", brincou. Na verdade o curta é uma 
agradável brincadeira com personagens do cinema mundial - e com um 
destaque final para o cinema brasileiro, representado por Grande Otelo em 
um boneco caracterizado como Macunaíma. Com uma primorosa composição, a 
animação realmente agradou e foi muito aplaudida pelo público presente ao 
final de sua exibição. "É a maior platéia que vai ver o meu filme e 
também a maior platéia que o meu filme terá", afirmou Quiá Rodrigues, o 
diretor. Jeff Báffica, que assina o figurino do curta, sugeriu ao 
Festival não se esquecer a premiação da categoria em suas futuras 
realizações.
	O segundo e última curta 35 mm exibido na noite foi "O Oitavo 
Selo", de Tomás Enrique Creus. Pouco comentado nos dias que antecederam a 
sua exibição, o filme recebeu entusiasmados e procedentes aplausos da 
platéia. Afinal trata-se de uma engraçada ficção originada a partir de 
elementos do filme "O Sétimo Selo", de Bergmann e repleta de diálogos 
criativos. 
	"Santo Forte" do consagrado Eduardo Coutinho (de "Cabra Marcado 
para Morrer"), o primeiro longa da última noite, foi inicialmente 
concebido para constituir-se em uma série televisiva sobre identidades 
brasileiras, o que acabou não acontecendo. Percebendo então que o 
documentário possuía fortes elementos para tornar-se um filme sobre a 
religiosidade, tamanha a quantidade de referências ao tema feita pelos 
entrevistados, optou por realizá-lo para o cinema. Na visão 
documentarista do diretor, não houve lugar para artifícios comumente 
utilizados no gênero tais como a inclusão de música a posteriori, a 
presença de um narrador ou mesmo a entrevista de especialistas no tema. 
Optou por ouvir o povo em um depoimento espontâneo de seu cotidiano. O 
resultado foi um filme autêntico, revelador e capaz de prender o 
interesse do espectador do início ao fim, o que acabou se revertendo em 
reconhecimento por parte do enorme público presente mais uma vez no Cine 
Brasília.
	Para fechar com chave de ouro o Festival, o melhor ainda estava 
por vir. Havia uma curiosidade geral para com o tema do filme, até então 
praticamente desconhecido dos brasileiros. E foi com grande competência 
que o diretor Erik de Castro, estreando em longa-metragem, realizou este 
documentário sobre a participação da Força Aérea Brasileira na II Guerra 
Mundial. O último longa-metragem da noite que emocionou a platéia, contou 
com depoimentos dos integrantes do 1º Grupo de Aviação de Caça do Brasil, 
filmes que registraram a época dos acontecimentos e ilustrações 
pertinentes para completar as informações dadas, resultando em um 
documentário de alta qualidade. O diretor, que afirmou o interesse por 
estes fatos da história brasileira desde a infância, pretende ainda 
continuar a desenvolver o tema provavelmente em forma de ficção em um 
futuro próximo. "Durante o documentário há perguntas sobre quem teve 
medo, quem não teve. Eu confesso a vocês que estou com muito mais medo 
aqui do que naqueles dias", afirmou um dos integrantes do Grupo de 
Aviação, diante da enorme platéia em expectativa à sua frente. Não havia 
razão para temer. A platéia se rendeu, cativa, até o término da exibição 
que arrancou lágrimas não somente suas, mas ainda dos protagonistas da 
história, merecidamente reverenciados pelo público ao final. E uma vez 
que não há um prêmio distinto para documentário e ficção em 35 mm no 
Festival, os concorrentes se considerem advertidos: "Senta a Pua!" 
dificilmente perderá o prêmio de Melhor Filme da Mostra Competitiva na 
Cerimônia de Encerramento desta terça-feira. Aguardem a matéria com os 
resultados da premiação para conferir.


Um grande abraço,

Mônica Campos.
monicac@inetminas.estaminas.com.br
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