FESTIVAL DE BRASÍLIA 99





Brasília, 25 de Novembro de 1999






Mostra Competitiva: segunda noite

	Tivemos esta noite a exibição dos curtas "Passadouro" e  "Rota de 
Colisão" e dos longas  "Cruz  e Sousa - O Poeta do Desterro" e  "A 
Terceira Morte de Joaquim Bolívar".



	O curta  "Passadouro", com fotografia do premiado Walter 
Carvalho, apresentou uma visão pessoal de seu diretor, Torquato Joel, das 
contradições da invasão do universo rural pelo urbano em curtíssimos oito 
minutos e no entanto seu conteúdo pareceu ter sido assimilado pela 
platéia que o aplaudiu.


	"Rota de Colisão" foi uma grata surpresa, a partir de uma idéia 
aparentemente despretensiosa. Em preto e branco, exceto pela imagem 
final, e com um áudio interessante e peculiar, a ficção prende o 
interesse do espectador até o final, surpreendente e fantástico. 
Conquistou o público brasiliense presente no cinema que o aplaudiu 
efusivamente. Talvez um sério candidato ao prêmio de Júri Popular.

O filme de Sylvio Back contou com destacada interpretação do ator Kadu Carneiro no papel-título e com excepcionais trechos de grande beleza dos versos do poeta Cruz e Sousa. Seu formato pouco comum, no entanto, pareceu incomodar parte do público presente. Entretanto nada impediu que fosse devidamente aplaudido no final. Trata-se do nono longa-metragem do diretor que pretendeu tornar conhecido Cruz e Sousa, reverenciado na Europa mas ignorado em seu próprio país, o maior representante do Simbolismo nacional e maior poeta negro da Língua Portuguesa. O interessante "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar", segundo longa da noite, foi bastante aplaudido pelo público. É o filme de estréia do diretor Flávio Cândido e, com roteiro original trata das três mortes do personagem-título como uma alegoria sobre 35 anos de história política nacional. A primeira morte de Joaquim Bolívar remete ao período de 64, quando os militares tomam o poder. Neste primeiro momento, o personagem morre em nome de seu idealismo. A segunda morte do personagem ocorre no ano de 1979, época da Anistia e sua morte é resultado do desencanto. A última, ambientada nos dias de hoje refere-se à sua adesão ao neoliberalismo. O filme retrata os desencontros da esquerda brasileira e a incapacidade de parte dela de agir conforme o seu discurso. O diretor garante que em seu filme não há referência explícita a pessoas do cenário político nacional, embora tenha admitido que às vezes a vida imita a arte. Abraços, Mônica Campos. Monicac@inetminas.estaminas.com.br << VOLTA

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