O curta "Passadouro", com fotografia do premiado Walter
Carvalho, apresentou uma visão pessoal de seu diretor, Torquato Joel, das
contradições da invasão do universo rural pelo urbano em curtíssimos oito
minutos e no entanto seu conteúdo pareceu ter sido assimilado pela
platéia que o aplaudiu.
"Rota de Colisão" foi uma grata surpresa, a partir de uma idéia
aparentemente despretensiosa. Em preto e branco, exceto pela imagem
final, e com um áudio interessante e peculiar, a ficção prende o
interesse do espectador até o final, surpreendente e fantástico.
Conquistou o público brasiliense presente no cinema que o aplaudiu
efusivamente. Talvez um sério candidato ao prêmio de Júri Popular.
O filme de Sylvio Back contou com destacada interpretação do ator
Kadu Carneiro no papel-título e com excepcionais trechos de grande beleza
dos versos do poeta Cruz e Sousa. Seu formato pouco comum, no entanto,
pareceu incomodar parte do público presente. Entretanto nada impediu que
fosse devidamente aplaudido no final. Trata-se do nono longa-metragem do
diretor que pretendeu tornar conhecido Cruz e Sousa, reverenciado na
Europa mas ignorado em seu próprio país, o maior representante do
Simbolismo nacional e maior poeta negro da Língua Portuguesa.
O interessante "A Terceira Morte de Joaquim Bolívar", segundo
longa da noite, foi bastante aplaudido pelo público. É o filme de estréia
do diretor Flávio Cândido e, com roteiro original trata das três mortes
do personagem-título como uma alegoria sobre 35 anos de história política
nacional. A primeira morte de Joaquim Bolívar remete ao período de 64,
quando os militares tomam o poder. Neste primeiro momento, o personagem
morre em nome de seu idealismo. A segunda morte do personagem ocorre no
ano de 1979, época da Anistia e sua morte é resultado do desencanto. A
última, ambientada nos dias de hoje refere-se à sua adesão ao
neoliberalismo. O filme retrata os desencontros da esquerda brasileira e
a incapacidade de parte dela de agir conforme o seu discurso. O diretor
garante que em seu filme não há referência explícita a pessoas do
cenário político nacional, embora tenha admitido que às vezes a vida
imita a arte.
Abraços,
Mônica Campos.
Monicac@inetminas.estaminas.com.br
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