FESTIVAL DE BRASÍLIA 98




O QUE DIZEM OS JORNAIS IMPRESSOS
SOBRE A CONFUSÃO FINAL
DE UM FESTIVAL QUE TINHA TUDO
PARA SER UM MARCO HISTÓRICO ?



CORREIO BRAZILIENSE:

Brasília, 20 de Outubro de 1998

                  FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO 
    
                  Premiação antropofágica 

                  Júri do festival provoca polêmica ao deixar de premiar
                  categorias como roteiro, fotografia e montagem entre os
                  longas 

                  A entrega da premiação do 31º
                  Festival de Brasília do Cinema
                  Brasileiro, na noite do último
                  domingo, foi marcada pela
                  polêmica pela criação de cinco
                  categorias (melhor produção
                  executiva, colagem
                  antropofágica, letreiro de
                  abertura e dois destaques de
                  interpretação) em detrimento
                  de outras tradicionais em
                  festivais de cinema, como
                  fotografia, roteiro e montagem.

                    ‘‘Sinceramente, estranhei não ter havido premiação para
                  melhor roteiro, porque o roteiro é a base do filme, assim
                  como a fotografia’’, afirmou o escritor Marçal Aquino, um
                  dos roteiristas de Ação Entre Amigos, fita que encerrou,
                  fora de competição, o festival e foi bastante aplaudida pelo
                  público de convidados.

                    Alguns membros do júri oficial, presidido pelo crítico Jean
                  Claude Bernardet, explicaram depois da premiação a
                  polêmica decisão, restrita aos longas-metragens. ‘‘Não
                  posso responder por todos. Também não posso bancar o
                  santo aqui. A verdade é que fui voto vencido em muitas
                  questões’’, diz o artista gráfico Rogério Duarte, um dos
                  jurados. 

                    Ele confirma ter o júri definido o prêmio de melhor
                  fotografia (para Hugo Kovensky, do filme Kenoma), mas a
                  organização do festival acabou não divulgando o prêmio e,
                  conseqüentemente, não premiando o escolhido.

                    Duarte assume a autoria do prêmio de colagem
                  antropofágica. ‘‘Colagem tem os mesmos critérios de
                  montagem. Colagem e montagem são sinônimos. E o
                  prêmio foi uma homenagem a Oswald de Andrade e
                  também ao trabalho de Rogério Sganzerla, como
                  antropófago. Não interessa ficar premiando
                  categoriazinhas sem expressão’’, declarou o artista.

                    A criação de novos prêmios, disse Duarte, foi uma
                  tendência constatada dentro do júri, e acabou provocando
                  divisão entre os jurados. ‘‘Eu, por exemplo, gostei muito
                  mais do filme do Paulo Cezar Saraceni (O Viajante). Mais
                  sério, mais profundo. E briguei pelo filme do Sganzerla
                  porque sou intelectual e gosto de ver filmes que
                  satisfazem a minha inteligência, e não apenas que
                  estimulem minhas glândulas lacrimais.’’

                    Feliz com sua premiação como melhor produção
                  executiva, pelo filme A Hora Mágica, de Guilherme de
                  Almeida Prado, a produtora paulista Sara Silveira ficou
                  estarrecida com o resultado. ‘‘Nunca vi falar uma coisa
                  dessas. E não entendo como isso pode acontecer e num
                  festival com o porte do de Brasília. Isso não existe. Se há
                  um filme é porque há um roteiro, há montagem. Um filme
                  não existe sem fotografia. Que loucura!’’

                    Calmo, o ator Sérgio Mamberti disse que a decisão do
                  Juri obedecia ao Regulamento do 31º Festival de Brasília
                  do Cinema Brasileiro. Segundo Mamberti, o regulamento
                  fixa somente quatro categorias (ator, atriz, filme e diretor)
                  na categoria longa-metragem em 35 mm. ‘‘As oito
                  restantes são opcionais’’, disse.

                    ‘‘Particularmente, eu não quero ser tradicionalista, mas
                  sinto falta da premiação para roteiro e fotografia, que
                  fazem parte do processo de criação dos filmes. Fugir da
                  camisa de força, pode até ter seu lado bom, mas acho
                  que o Festival precisa de um meio termo e tem que
                  analisar o resultado dessa experiência’’, acrescenta
                  Mamberti.

                    A polêmica, entretanto, não ficou só nos novos prêmios.
                  A indicação de Cláudio Torres, pelo episódio Diabólica,
                  como melhor diretor intrigou até o próprio cineasta, que
                  dividiu o comando de Traição com José Henrique Fonseca
                  e Arthur Fontes. ‘‘O prêmio é dos três porque Traição foi
                  inscrito como um filme só’’, disse Torres. ‘‘É dos três, não
                  tem como não ser’’, afirmou Arthur Fontes, que até
                  titubeou em subir ao palco quando só ouviu o nome do
                  colega Torres.

                  Análise da notícia/Mostra ficou aquém da promessa 

                  Sérgio Bazi 
                  Da equipe do Correio 


FOLHA DE SÃO PAULO:

São Paulo, terça, 20 de outubro de 1998 


              FESTIVAL DE BRASÍLIA
              Constrangimento tomou conta da cerimônia e categorias
              essenciais, como roteiro, não tiveram prêmios
              "Amor & Cia.' vence em premiação
              confusa 

              JOSÉ GERALDO COUTO 
              enviado especial a Brasília 

              "Amor & Cia.", de Helvécio Ratton, o filme mais convencional da
              safra, venceu o 31º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
              A premiação, divulgada anteontem à noite numa cerimônia
              confusa, foi uma das mais estranhas da história do festival.
              Categorias essenciais como fotografia, roteiro e montagem não
              tiveram prêmios (veja quadro ao lado). Em contrapartida, foram
              contempladas categorias como "melhor abertura", "colagem
              antropofágica" e "produção executiva".
              Ao final da cerimônia de premiação, a perplexidade tomou conta
              do público, da imprensa e dos próprios premiados -a tal ponto
              que inviabilizou uma foto coletiva destes últimos no palco, que já
              havia sido programada e anunciada previamente.
              Durante a cerimônia, predominou o constrangimento, que os
              premiados procuravam atenuar como podiam.
              O cineasta Claudio Torres -que recebeu o Candango de melhor
              diretor pelo episódio "Diabólica", de "Traição"- subiu ao palco
              com seu colega Arthur Fontes e disse que o troféu era para os
              três diretores do longa (o outro, ausente, é José Henrique
              Fonseca), e não só para ele. "Traição' não são três filmes, é um
              filme só", disse.
              Ao receber seu "prêmio especial do júri" por "O Viajante", Paulo
              Cezar Saraceni, sabendo que não ganharia mais nada, ironizou:
              "Como diz a canção, não sou de reclamar".
              Rogério Sganzerla, por sua vez, foi de uma elegância ímpar ao
              receber o esdrúxulo e ofensivo Candango de "colagem
              antropofágica" por "Tudo É Brasil": "Este prêmio é para o cinema
              brasileiro, eterna fonte de inspiração".
              O premiado mais aplaudido foi o ator José Dumont, de
              "Kenoma", que dedicou o troféu à diretora Eliane Caffé e "aos
              150 milhões de Lineus que vivem neste país, dentro de cada um
              de nós", numa referência ao utópico e obstinado personagem que
              encarna no filme.
              
 Protesto e aclamação
              Exibido "hors-concours" antes da premiação, o longa-metragem
              "Ação Entre Amigos", de Beto Brant -recusado pela seleção do
              festival-, acabou sendo o mais aplaudido de todo o evento.
              Brant subiu ao palco para apresentar o filme e disse, entre sincero
              e irônico: "O cinema brasileiro tem uma história muito importante.
              Espero que vocês me deixem fazer parte dela".
              Os realizadores de 16 mm subiram em peso ao palco para ler um
              manifesto reivindicando que os filmes da categoria passem a ser
              exibidos no Cine Brasília, e não na salinha do Teatro Nacional a
              que estão confinados.
              O tom de campanha política -presente em todas as sessões do
              festival- também imperou durante o encerramento. Sempre que
              podiam, apresentadores e premiados usavam a expressão
              "honestamente", utilizada no slogan do governador do Distrito
              Federal e candidato do PT à reeleição, Cristovam Buarque.


O ESTADÃO:

Terça-feira, 20 de outubro de 1998 

              
                
                Júri de Brasília causa indignação no fim do
                festival 

                      Premiação, anunciada no domingo à noite, foi
                   convencional e ignorou categorias importantes 

                      LUIZ ZANIN ORICCHIO 

                      Enviado Especial 

                      BRASÍLIA - Deu confusão no fim. Não tanto
                pelo escolha do vencedor desta 31ª edição do Festival
                de Brasília do Cinema Brasileiro, o longa-metragem
                Amor & Cia, de Helvécio Ratton, mas pela decisão do
                júri em não atribuir troféus a três categorias até agora
                consideradas fundamentais no mundo do cinema: roteiro,
                fotografia e montagem. No júri popular ganhou Traição,
                de Arthur Fontes, José Henrique Fonseca e Cláudio
                Torres, que ainda leva a estatueta de direção, atribuída
                apenas ao seu episódio, Diabólica. A atriz escolhida foi
                Patrícia Pillar (Amor & Cia) e o ator, José Dumont
                (Kenoma). O Viajante, de Paulo César Saraceni, ficou
                com o consolo de um Prêmio Especial do Júri e com o
                troféu de música (Túlio Mourão, Paulo Jobim e Sérgio
                Saraceni). Direção de arte e cenografia foi dividido entre
                Kenoma e Amor & Cia. 

                      Nas outras categorias, o júri oficial - composto
                pelo roteirista Jean-Claude Bernardet, pelos cineastas
                Sérgio Silva, Luiz Carlos Lacerda e André Sturm, a
                socióloga Aspásia Camargo, o ator Sérgio Mamberti e o
                fotógrafo Rogério Duarte - resolveu que chegara mesmo
                a hora de inovar. Deu um troféu de produção executiva a
                Sara Silveira, uma espécie de compensação pelo fato de
                que o filme por ela produzido, Ação entre Amigos, havia
                sido injustamente excluído da mostra competitiva.
                Atribuiu a Rogério Sganzerla e seu Tudo É Brasil, um
                troféu de Colagem Antropofágica, categoria já
                incorporada como contribuição pátria às novas
                modalidades para julgar um filme. 

                      Letreiros e destaques - Kenoma ganhou ainda
                um troféu Candango por letreiros de abertura e
                Francisco Cuoco e Ludmila Dayer foram agraciados
                como destaques de interpretação, que um júri menos
                criativo simplesmente chamaria de coadjuvantes. 

                      Entre os curtas em 35 milímetros, venceu Amassa
                que Elas Gostam, de Fernando Coster. O júri popular
                preferiu o singelo Uma História de Futebol, de Paulo
                Machline, que ainda recebeu o prêmio da Andi (Agência
                de Notícias dos Direitos da Infância), que escolhe o filme
                que faz a melhor reflexão sobre os problemas da infância
                e da adolescência. Na bitola 16 milímetros, o grande
                vencedor foi o gaúcho Gustavo Spolidoro, com seu filme
                Velhinhas. 

                      No fim da cerimônia de encerramento era grande
                a indignação entre os cineastas. Além de criticar o
                destempero do júri, acusavam-no de equívocos básicos,
                tais como premiar a direção de apenas um dos episódios
                de um longa, como é o caso de Traição, ignorar
                completamente uma obra interessante como A Hora
                Mágica, de Guilherme de Almeida Prado, desconhecer a
                presença de diretores de fotografia como Jean Benoit
                Crepon, Hugo Kovensky, José Tadeu Ribeiro e Mário
                Carneiro, cuja categoria profissional, assim como a dos
                montadores e roteiristas acabara de ser cassada. "'Não
                sei como vou chegar ao Rio e explicar ao Mário
                Carneiro que não houve prêmio de fotografia",
                lamentava-se o cineasta Paulo César Saraceni. 

                      Cobrança - Os poucos jurados que deram as
                caras em público foram cobrados por suas decisões.
                "'Fiz o que pude, mas eu era um só", desculpava-se o
                fotógrafo Rogério Duarte, tido nos bastidores como
                idealizador da categoria de colagem antropofágica, dado
                a Rogério Sganzerla. Este, por sua vez, dizia para quem
                quisesse ouvir que colagem era a mãe de quem tinha
                criado o prêmio e que deveria jogar a estatueta na
                cabeça de quem tivera a idéia. Sérgio Mamberti
                declarou-se voz isolada e jurou que nunca mais na vida
                participaria de outro júri. Enquanto isso, o diretor do
                festival, Nílson Rodrigues, limitava-se a repetir que "a
                polêmica é sempre positiva". 

                      Saldo positivo - Pode ser. Mas a verdade é que
                fatos desse tipo tiram o brilho de qualquer festa e esta
                31ª edição do festival certamente mereceria um júri mais
                equilibrado, para um usar um termo leve. Isso porque,
                apesar de alguns erros de princípio, Brasília-98 teve boa
                formatação. A comissão de seleção, a princípio, decidira
                convidar apenas longas-metragens inéditos. Abriu uma
                exceção para Kenoma, que acabou sendo um dos mais
                premiados do certame. Mas não fez o mesmo para Ação
                entre Amigos, de Beto Brant, que encerrou a mostra,
                fora de concurso, como o mais aplaudido dos
                longas-metragens que passaram este ano pelo Cine
                Brasília. Brant leva do festival, a lembrança de uma
                consagração popular com sabor de desforra. 

                      No entanto, apesar dos percalços, a seleção de
                longas foi equilibrada como havia muito não acontecia.
                Contemplou praticamente todos os gêneros
                (documentário, comédia, comédia ligeira, drama,
                tragicomédia), mostrando a diversidade estilística e a
                força do cinema brasileiro de autor. Quando a poeira
                baixar, a mostra brasiliense de 1998 será recordada, por
                exemplo, como aquela que trouxe de volta dois
                veteranos como Rogério Sganzerla e Paulo César
                Saraceni, ambos exibindo excelente forma
                cinematográfica. 

                      Com O Viajante, Saraceni encerra sua trilogia
                sobre a obra de Lúcio Cardoso, iniciada com Porto das
                Caixas e A Casa Assassinada. Em que pese alguns
                excessos de retórica que poderiam ser discutidos, O
                Viajante é um filme cheio de paixão, fruto de uma
                dramaturgia madura e consistente. Pode, às vezes, ser
                imperfeito como a própria vida, mas traz Marília Pêra no
                papel de uma inesquecível Medéia perdida no interior de
                Minas, cheia de desejo e culpa. Um mergulho dilacerado
                na alma humana, que mereceria apreciação mais sensível
                por parte desses privilegiados espectadores cuja função
                é distribuir prêmios. 

                      Narrativa competente - O vencedor deste
                festival, Amor & Cia, é realizado com boa carpintaria
                cênica. O diretor Helvécio Ratton não se cansa de
                repetir que a ele interessa uma boa história, narrada de
                maneira competente e interpretada por um bom elenco.
                Não poderia haver melhor definição para o filme que fez.
                Parte de uma trama saborosa tirada da novela de Eça de
                Queirós, Alves & Cia, na qual o clássico triângulo
                amoroso acontece entre os sócios de uma firma que
                disputam o amor da bela Ludovina (Patrícia Pillar),
                mulher de um deles. O sabor de província de Eça é
                sabiamente recriado na madorrenta Minas Gerais do
                século 19, o elenco (Patrícia e mais Marco Nanini e
                Alexandre Borges) está afinado como um trio de
                câmara, o texto é finamente costurado pela direção e
                tudo funciona a contento, da música à fotografia. 

                      Tomado isoladamente, Amor & Cia é um bom
                filme, um excelente programa para o público. No
                entanto, no contexto deste festival, aparece como a mais
                retrógrada das opções do júri. Grosso modo, a seleção
                deste ano se compunha de três filmes de invenção (Tudo
                É Brasil, O Viajante e A Hora Mágica) e três de
                narrativa mais convencional (Kenoma, Traição e Amor
                & Cia). A premiação, destrambelhos à parte,
                concentrou-se totalmente na alternativa tradicionalista
                oferecida por essa amostragem, apesar de haver entre os
                jurados gente, em tese, defensora de estéticas mais
                radicais, agressivas e avançadas. O retrato oficial do
                Festival de Brasília-98 fica, portanto, com a feição de
                um constrangedor conservadorismo. O que ele
                possivelmente teve de mais ousado e interessante deve
                ser buscado em outra parte. 


O ESTADO DE MINAS:

"Amor & Cia" vence Festival de Brasília e
                                 reforça a tendência de aproximação com
                                 o gosto do público 

                                 Marcello Castilho Avellar (20/10)

                                 Vitória para os mineiros no
                                 31º Festival de Brasília do
                                 Cinema Brasileiro, encerrado
                                 no último domingo com a
                                 premiação de ‘‘Amor & Cia.’’,
                                 de Helvécio Ratton. Além do
                                 prêmio de melhor filme de
                                 longa-metragem, o júri lhe
                                 concedeu os de melhor atriz
                                 (Patrícia Pillar) e melhor
                                 direção de arte e cenografia
                                 (Clóvis Bueno e Vera
                                 Hamburger). Entre os filmes
                                 de curta-metragem, ‘‘A Hora
                                 Vagabunda’’, de Rafael
                                 Conde, trouxe para casa o Candango de melhor ator (André
                                 Brasil) e o prêmio da crítica. 

                                 Deu a louca no júri de premiação dos longas-metragens. Os sete
                                 jurados levaram ao pé da letra a norma que tornava obrigatórias
                                 apenas as estatuetas de melhor filme, diretor, atriz e ator,
                                 dando total liberdade para a concessão de até oito outros troféus
                                 em categorias diversas. O resultado foi a premiação de
                                 elementos extremamente inexpressivos, como ‘‘produção
                                 executiva’’ ou ‘‘letreiro de abertura’’. A questão não foi tão
                                 catastrófica quanto boa parte do público imaginou – o prêmio de
                                 ‘‘Colagem antropofágica’’ dado a ‘‘Tudo é Brasil’’, por exemplo,
                                 acaba remetendo à ótima montagem da película, e mais de um
                                 jurado comentou, depois da premiação, que a idéia de ‘‘melhor
                                 filme’’ traria implícitas as de melhor fotografia e roteiro. Só que
                                 estas possibilidades não chegaram ao ouvido dos concorrentes,
                                 e muito menos aos espectadores, de modo que a premiação
                                 ficou parecendo algo ainda mais disparatado e sem critério do
                                 que era.

                                 A vitória de ‘‘Amor & Cia.’’, seguindo-se à de ‘‘Anahy de las
                                 Misiones’’ em 1997, confirma um vínculo entre Brasília e a
                                 vertente do cinema brasileiro que constrói obras com linguagens
                                 mais próximas daquela que o grande público conhece. Cada um
                                 dos dois, a sua maneira (‘‘Amor’’ é uma comédia, ‘‘Anahy’’ um
                                 drama), tem narrativa linear, grande cuidado com a produção
                                 (principalmente em relação à reconstituição de época e
                                 fotografia), confia na interpretação do elenco como estratégia
                                 fundamental para a conquista do mercado. Isso tudo sem
                                 abandonar a idéia de contar histórias que não seriam narradas
                                 pelas cinematografias dominantes do mundo – americana,
                                 francesa, inglesa, alemã. Sintomaticamente, os dois filmes
                                 foram obras de diretores fora do eixo Rio-São Paulo, que
                                 tradicionalmente dominam o cinema brasileiro.

                                 Mesmo assim, o júri afirmou o compromisso do festival com as
                                 linhas mais autorais do cinema brasileiro. Novamente, podemos
                                 usar a versão 1997 como referência: ‘‘Anahy’’ venceu o melhor
                                 filme, ‘‘Miramar’’, de Júlio Bressane, o melhor diretor. Este ano, o
                                 compromisso manifestou-se no prêmio especial dado a Paulo
                                 Cézar Saraceni – desproporcional à péssima qualidade do filme,
                                 mas uma homenagem à participação do cineasta na luta pelo
                                 Cinema Novo, e na quantidade de citações a Rogério Sganzerla
                                 ao longo de toda a semana. O ex-rebelde Sganzerla, aliás,
                                 praticamente deu mostras de que a antiga rivalidade entre o
                                 ‘‘cinema independente’’ que faz e o Cinema Novo acabou: teceu
                                 loas à produção de Glauber, Nelson Pereira dos Santos e
                                 companhia. Da mesma maneira, pode-se perceber o
                                 compromisso com um cinema mais autoral nas homenagens a
                                 Joaquim Pedro de Andrade e Nelson Pereira dos Santos.

                                 Outro traço do ‘‘novíssimo cinema brasileiro’’ que ficou nítido em
                                 Brasília foi a qualidade do acabamento das películas,
                                 principalmente em relação a direção de arte e, num nível um
                                 centímetro inferior, fotografia e som. Filmes que contam histórias
                                 para o grande público ou obras autorais, com resultados
                                 melhores ou piores, todos parecem perceber que o mercado
                                 solicita que os produtos cinematográficos sejam bem acabados.


JORNAL DO BRASIL:

Terça-feira, 20 de outubro de 1998 

Amor & Cia é o 
mais premiado no 
festival de Brasília 

O filme de Helvécio Ratton recebeu três 
Candangos numa cerimônia confusa e tumultuada 
pela decisão do júri de premiar novas categorias 

PEDRO BUTCHER*

Foto de Divulgação

BRASÍLIA - A sutileza,
sensibilidade e graça singela de
Amor & Cia, de Helvécio
Ratton, saíram vencedoras do
31° Festival de Cinema de
Brasília, encerrado domingo à
noite em cerimônia - para variar
- tumultuada, mas pelo menos
ágil e relativamente curta
(durou menos de duas horas,
recorde para o padrão dos
festivais brasileiros). A
simpática comédia burlesca de
Ratton, que transpõe uma
história do português Eça de
Queiroz para a mineira São João
del Rey, recebeu os Candangos de melhor filme, atriz (Patrícia Pillar) e direção de arte. O longa
em episódios Traição, de Arthur Fontes, Claudio Torres e José Henrique Fonseca, terminou
sendo o segundo vencedor da noite, acumulando os troféus de Destaque de interpretação
(para Francisco Cuoco e Ludmila Dayer), direção (para Claudio Torres) e melhor filme pelo júri
popular. José Dumont, muito merecidamente, foi escolhido o melhor ator por sua interpretação
em Kenoma, de Eliane Caffé.

Curiosamente, júri, público e crítica discordaram na eleição de seus filmes prediletos. O oficial,
que tinha entre seus integrantes os cineastas Luiz Carlos Lacerda (de For all) e Sérgio Silva
(de Anahy de las missiones), o pesquisador Jean Claude Bernardet e a antropóloga Aspásia
Camargo, entre outros, preferiu a narrativa sem grandes ousadias autorais de Ratton, diretor
de A dança dos bonecos e Menino Maluquinho - O filme. Já o público predominantemente
jovem que freqüentou o Cine Brasília durante a semana confirmou seus aplausos para
Traição, três histórias de Nelson Rodrigues tratadas de forma bastante diferente por seus
diretores. E a crítica preferiu dividir seu prêmio entre os novos trabalhos dos veteranos
Rogério Sganzerla (Tudo é Brasil, sobre a passagem de Orson Welles pelo país em 1942) e
Paulo Cezar Saraceni (O viajante, uma adaptação de Lúcio Cardoso).

Tal divisão só foi possível por causa da homogeneidade da seleção, formada por títulos
interessantes mas nunca apaixonantes (com exceção de O viajante, que dividiu radicalmente
os espectadores). A conseqüência foi um resultado imprevisível até o último instante. Além
do prêmio da crítica, o filme de Saraceni levou o Prêmio Especial do Júri ("por sua
interpretação dos valores culturais brasileiros") e de melhor música (na belíssima trilha há uma
canção inédita de Tom Jobim).

Mesmo com essa noite de surpresas garantidas, o júri resolveu inventar moda e não conferiu
alguns prêmios importantes como os de fotografia, montagem e roteiro. Querendo ser
"criativo", preferiu conceder novas categorias como "melhor produção executiva" (que foi
para o dínamo do cinema paulista Sara Silveira, produtora de A hora mágica), "letreiros de
abertura" (os do filme Kenoma) ou ainda um enigmático "colagem antropofágica" (para Tudo
é Brasil). Mas isso só provocou uma enorme confusão, além de abalar a credibilidade do
festival. Assim que a cerimônia terminou, correu um forte boato de que os prêmios excluídos
teriam sido votados pelo júri e os apresentadores teriam simplesmente esquecido de
anunciá-los. A direção do festival negou, mas a dúvida permaneceu por muito tempo, até ser
definitivamente esclarecida. Nesse ponto o júri não só soou um tanto ridículo como também
deixou de premiar a fotografia magistral de Mário Carneiro para O viajante (único ponto de
unanimidade do filme) ou a montagem elaboradíssima de Tudo é Brasil (que virou a tal
"colagem antropofágica", talvez?). Outra decisão que provocou constrangimento foi a de
premiar apenas Claudio Torres, como melhor diretor, pelo filme Traição. Ele é, de fato,
responsável pelo melhor episódio, Diabólica. Mas é claro que arrastou Arthur Fontes (diretor
do primeiro episódio) para o palco e disse que aceitava o prêmio em nome dos três cineastas
que assinam o filme. "Já que não consigo ver Traição separadamente", justificou.

A premiação do júri, em geral, foi conservadora. Deixou-se de fora, por exemplo, a
interpretação de Marília Pêra em O viajante (para alguns, um trabalho mal compreendido
apenas por ser anti-naturalista) ou até mesmo a sofisticada direção de arte de A hora mágica,
elemento fundamental na teia de citações e recursos metalinguísticos do filme referencial de
Guilherme de Almeida Prado. Mas o prêmio principal encontra fundamento na sofisticação
cinematográfica quase invisível do filme de Ratton, que sabe extrair, sobretudo, grandes
momentos da interpretação de seus atores (Marco Nanini, sempre à beira do patético, e
Patrícia Pillar, que transforma sua Ludovina numa espécie de Capitu).

Na premiação de curtas, o júri também deu preferência a uma comédia inteligente, escolhendo
a hilária mistura de animação e live action Amassa que elas gostam, de Fernando Coster. Os
curtas, aliás, começaram a competição sem prometer muito, mas subiram consideravelmente de
nível nos últimos dias do festival, principalmente com a projeção de A hora vagabunda, de
Rafael Conde, Kyrie ou O início do caos, de Débora Waldman, e Náufrago, de Amilcar Claro -
três filmes de se tirar o chapéu revelando cineastas muito interessantes. Na categoria 16
milímetros - que trouxe ao festival uma animada e unida turma de jovens cineastas de todo o
Brasil -, o grande vencedor foi Velinhas, de Gustavo Spolidoro, que já tinha impressionado em
Gramado. O cineasta elaborou seu filme num único plano, sem cortes, filmado quase que
inteiramente à luz de velas. Tetê Moraes, com sua divertida comédia niteroiense Era
Araribóia um astronauta, sobre a crença em extra-terrestres, ganhou uma Menção Honrosa
do júri.

A sessão de encerramento do Festival de Brasília contou ainda com a projeção de Ação entre
amigos, de Beto Brant, que já foi exibido no Festival de Veneza e, em setembro, abriu a
MostraRio. O público brasiliense (para quem o filme permanecia inédito) aplaudiu de pé ao fim
da projeção. O secretário de cultura do Distrito Federal Hamilton Pereira, que subiu ao palco
para entregar um dos prêmios, deu um depoimento emocionado. "Ainda estou sob o impacto
desse filme, que conta uma história que poderia ter sido a minha", afirmou.

* O repórter viajou a convite da organização do festival



DIÁRIO DE SOROCABA:

20 De Outubro de 1998


                                          CINEMA
               'Amor & Cia' vence Festival de Brasília 
                    mas evento terminou em confusão

    BRASÍLIA - Deu confusão no fim. Não tanto pelo escolha do vencedor desta 31.ª edição
    do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o longa-metragem "Amor & Cia", de Helvécio
    Ratton, mas pela decisão do júri em não atribuir troféus a três categorias até agora
    consideradas fundamentais no mundo do cinema: roteiro, fotografia e montagem. 

    No júri popular ganhou "Traição", de Arthur Fontes, José Henrique Fonseca e Cláudio
    Torres, que ainda leva a estatueta de direção, atribuída apenas ao seu episódio, "Diabólica".
    A atriz escolhida foi Patrícia Pillar (Amor & Cia) e o ator, José Dumont (Kenoma). 

    "O Viajante", de Paulo César Saraceni, ficou com o consolo de um Prêmio Especial do Júri e
    com o troféu de música (Túlio Mourão, Paulo Jobim e Sérgio Saraceni). Direção de arte e
    cenografia foi dividido entre "Kenoma" e "Amor & Cia". 

    Nas outras categorias, o júri oficial - composto pelo roteirista Jean-Claude Bernardet, pelos
    cineastas Sérgio Silva, Luiz Carlos Lacerda e André Sturm, a socióloga Aspásia Camargo, o
    ator Sérgio Mamberti e o fotógrafo Rogério Duarte - resolveu que chegara mesmo a hora de
    inovar. 

    Deu um troféu de produção executiva a Sara Silveira, uma espécie de compensação pelo fato
    de que o filme por ela produzido, "Ação entre Amigos", havia sido injustamente excluído da
    mostra competitiva. 

    Atribuiu a Rogério Sganzerla e seu "Tudo É Brasil", um troféu de Colagem Antropofágica,
    categoria já incorporada como contribuição pátria às novas modalidades para julgar um filme.


    LETREIROS E DESTAQUES - "Kenoma" ganhou ainda um troféu Candango por letreiros
    de abertura e Francisco Cuoco e Ludmila Dayer foram agraciados como destaques de
    interpretação, que um júri menos criativo simplesmente chamaria de coadjuvantes. 

    Entre os curtas em 35 milímetros, venceu "Amassa que Elas Gostam", de Fernando Coster. O
    júri popular preferiu o singelo "Uma História de Futebol", de Paulo Machline, que ainda
    recebeu o prêmio da Andi (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), que escolhe o filme
    que faz a melhor reflexão sobre os problemas da infância e da adolescência. 

    Na bitola 16 milímetros, o grande vencedor foi o gaúcho Gustavo Spolidoro, com seu filme
    "Velhinhas". No fim da cerimônia de encerramento era grande a indignação entre os cineastas.


    Além de criticar o destempero do júri, acusavam-no de equívocos básicos, tais como premiar
    a direção de apenas um dos episódios de um longa, como é o caso de "Traição", ignorar
    completamente uma obra interessante como "A Hora Mágica", de Guilherme de Almeida
    Prado, desconhecer a presença de diretores de fotografia como Jean Benoit Crepon, Hugo
    Kovensky, José Tadeu Ribeiro e Mário Carneiro, cuja categoria profissional, assim como a
    dos montadores e roteiristas acabara de ser cassada. 

    "Não sei como vou chegar ao Rio e explicar ao Mário Carneiro que não houve prêmio de
    fotografia", lamentava-se o cineasta Paulo César Saraceni. 

    COBRANÇA - Os poucos jurados que deram as caras em público foram cobrados por suas
    decisões. "Fiz o que pude, mas eu era um só", desculpava-se o fotógrafo Rogério Duarte, tido
    nos bastidores como idealizador da categoria de colagem antropofágica, dado a Rogério
    Sganzerla. 

    Este, por sua vez, dizia para quem quisesse ouvir que colagem era a mãe de quem tinha
    criado o prêmio e que deveria jogar a estatueta na cabeça de quem tivera a idéia. Sérgio
    Mamberti declarou-se voz isolada e jurou que nunca mais na vida participaria de outro júri. 

    Enquanto isso, o diretor do festival, Nílson Rodrigues, limitava-se a repetir que "a polêmica é
    sempre positiva". 

    SALDO POSITIVO - Pode ser. Mas a verdade é que fatos desse tipo tiram o brilho de
    qualquer festa e esta 31.ª edição do festival certamente mereceria um júri mais equilibrado,
    para um usar um termo leve. Isso porque, apesar de alguns erros de princípio, Brasília-98
    teve boa formatação. A comissão de seleção, a princípio, decidira convidar apenas
    longas-metragens inéditos. 

    Abriu uma exceção para "Kenoma", que acabou sendo um dos mais premiados do certame.
    Mas não fez o mesmo para "Ação entre Amigos", de Beto Brant, que encerrou a mostra, fora
    de concurso, como o mais aplaudido dos longas-metragens que passaram este ano pelo Cine
    Brasília. Brant leva do festival, a lembrança de uma consagração popular com sabor de
    desforra. 

    No entanto, apesar dos percalços, a seleção de longas foi equilibrada como havia muito não
    acontecia. Contemplou praticamente todos os gêneros (documentário, comédia, comédia
    ligeira, drama, tragicomédia), mostrando a diversidade estilística e a força do cinema brasileiro
    de autor. 

    Quando a poeira baixar, a mostra brasiliense de 1998 será recordada, por exemplo, como
    aquela que trouxe de volta dois veteranos como Rogério Sganzerla e Paulo César Saraceni,
    ambos exibindo excelente forma cinematográfica. 

    Com "O Viajante", Saraceni encerra sua trilogia sobre a obra de Lúcio Cardoso, iniciada com
    "Porto das Caixas" e "A Casa Assassinada". Em que pese alguns excessos de retórica que
    poderiam ser discutidos, "O Viajante" é um filme cheio de paixão, fruto de uma dramaturgia
    madura e consistente. 

    Pode, às vezes, ser imperfeito como a própria vida, mas traz Marília Pêra no papel de uma
    inesquecível Medéia perdida no interior de Minas, cheia de desejo e culpa. Um mergulho
    dilacerado na alma humana, que mereceria apreciação mais sensível por parte desses
    privilegiados espectadores cuja função é distribuir prêmios. 

    NARRATIVA COMPETENTE - O vencedor deste festival, "Amor & Cia", é realizado
    com boa carpintaria cênica. O diretor Helvécio Ratton não se cansa de repetir que a ele
    interessa uma boa história, narrada de maneira competente e interpretada por um bom elenco.
    Não poderia haver melhor definição para o filme que fez. 

    Parte de uma trama saborosa tirada da novela de Eça de Queirós, Alves & Cia, na qual o
    clássico triângulo amoroso acontece entre os sócios de uma firma que disputam o amor da
    bela Ludovina (Patrícia Pillar), mulher de um deles. O sabor de província de Eça é sabiamente
    recriado na madorrenta Minas Gerais do século 19, o elenco (Patrícia e mais Marco Nanini e
    Alexandre Borges) está afinado como um trio de câmara, o texto é finamente costurado pela
    direção e tudo funciona a contento, da música à fotografia. 

    Tomado isoladamente, "Amor & Cia" é um bom filme, um excelente programa para o público.
    No entanto, no contexto deste festival, aparece como a mais retrógrada das opções do júri.
    Grosso modo, a seleção deste ano se compunha de três filmes de invenção (Tudo É Brasil, O
    Viajante e A Hora Mágica) e três de narrativa mais convencional (Kenoma, Traição e Amor
    & Cia). 

    A premiação, destrambelhos à parte, concentrou-se totalmente na alternativa tradicionalista
    oferecida por essa amostragem, apesar de haver entre os jurados gente, em tese, defensora
    de estéticas mais radicais, agressivas e avançadas. O retrato oficial do Festival de Brasília-98
    fica, portanto, com a feição de um constrangedor conservadorismo. O que ele possivelmente
    teve de mais ousado e interessante deve ser buscado em outra parte. 


O GLOBO:

20 de Outubro de 1998

                Deu a louca no Candango 

                Eduardo Souza Lima 

                BRASÍLIA 

                júri oficial do 31º Festival de Brasília enlouqueceu. O evento,
                que terminou na noite de domingo, tinha tudo para entrar para a
                história como a grande festa da recuperação do cinema
                nacional. Todos os filmes da competição tinham qualidades
                inegáveis e refletiam a pluralidade da nova safra. Mas o júri (os
                cineastas Sérgio Silva, Luís Carlos Lacerda e Tânia Savietto, a
                socióloga Aspásia Camargo, o ator Sérgio Mamberti, o artista
                gráfico Rogério Duarte e o roteirista Jean-Claude Bernardet) pôs
                tudo a perder, deixando de premiar categorias tradicionais
                como fotografia, montagem e roteiro, para inventar os
                esdrúxulos Candangos de melhor colagem antropofágica e de
                melhor letreiro de abertura. Os grandes vencedores foram
                "Amor & cia", de Helvécio Ratton, melhor filme do júri oficial, e
                "Traição", de Arthur Fontes, Cláudio Torres e José Henrique
                Fonseca, prêmio do júri popular. E Brasília também repetiu
                erros de outros festivais brasileiros deste ano. 


  Festival para quê? 

                Luiz Noronha 

                Farta distribuição de prêmios, escolhas duvidosas, equívocos
                entre o risível e o constrangedor. O que se viu em Brasília foi
                um remake de cenas mostradas em festivais e jornadas de
                cinema por todo o Brasil. Diretores sérios são expostos ao
                ridículo e nivelados a meros aprendizes. Afinal, o que está
                havendo? 

                Os grandes festivais de cinema têm badalação, discussão
                estética, polêmicas, etc, mas isso é perfumaria. O que justifica
                esses eventos é a possibilidade de neles serem fechados
                negócios. É o mercado que sustenta Cannes, Berlim,
                Sundance etc. Aqui, infelizmente, festivais de cinema são
                meros eventos promocionais de políticos locais, com suas
                respectivas secretarias de Cultura fazendo papel de aparelhos
                de propaganda, promovendo debates inócuos e premiações
                patéticas. Enquanto nosso mercado audiovisual for imaturo, o
                besteirol é tudo que teremos. 

---------------------------------------

MEU COMENTÁRIO FINAL:

Esta repercussão negativa do "mercado audiovisual", como captada
acima pelo repórter de O GLOBO era tudo de que não precisávamos.

A quem interessa promover uma confusão destas?  Pensem.

Grande Abraço,

Marcos Manhães Marins
PROJETO CINEMA BRASIL NA INTERNET




Estique seus pés e relaxe. Você pode assistir agora Televisão na Internet na      
Esta semana com:
Entrevista exclusiva de 20 minutos sem cortes com NÉLSON PEREIRA DOS SANTOS,
o grande homenageado do FESTIVAL DE BRASÍLIA 98, pelos seus 70 anos de vida
cinematográfica, e também vários trailers de filmes nacionais.

Desde 18 de Outubro de 1995, tivemos   visitas ao site.
MAIS DE UM MILHÃO E MEIO DE PÁGINAS VISTAS POR PESSOAS DO BRASIL E DO MUNDO!

VOLTAR